terça-feira, 5 de maio de 2026

ditos avulsos agora que tenho teclas 1

me organizar nas vontades que são muitas,
entender porque eu estava/estive tão insegura,
mesmo forçando meu próprio caminho no caminho da possível insegurança;

como que eu conseguia escrever tanto sem ter algumas teclas?
não é porque a cozinha é algo tão ancestral que eu precisava ficar tão longe da tecnologia. 

mil reais custa o curso sobre ser resiliente e ter inteligência emocional
como se fosse possível criar um curso tão resiliente assim para ser resiliente.
talvez eu não saiba a fundo o que seja ser resiliente, 
mesmo sendo. 

seria o meu desejo mais obscuro o de ser solitária, ilegal e foragida?
(tentando interpretar meus sonhos)

difícil que ao tentar enxergá-lo como um código
sempre dá erro,
é preciso acessar a placa mãe. 

e vou de sonho em sonho a galope dessas linguagens.



sexta-feira, 24 de abril de 2026

desafogo pt VI

sinto que aquilo que muito me atravessava,
não atravessa mais.
não como antes. 
agora eu me sinto diferente.

super nova

beijo cada lágrima um dia escondida que escorre por seu rosto, te daria a melhor brisa, com a melhor sombra, com a mais frescas das águas, te daria os céus, e lamberia cada gota desse mar salgado que te afogava. Eu lamberia cada ferida em ti depositada. Tudo faria se eu tivesse entendido seu coração mais cedo, agora, agora eu sangro um pouco, por você, por sentir nas minhas tripas o enforcamento que respiravas, te daria porque queria muito ter furado o tempo, mas já que o tempo é agora e é agora que bebo dessa água salgada, é só agora que te daria todos os meus mais lindos dias para você chorar, chorar muito, aliviado por existir sem se afogar. Meu coração está sangrando, como se eu nunca tivesse sentido tanto em todo minha vida, eu explodiria em constelação só para te ver aliviado, meu amor, aliviado de ver que tem uma galáxia inteira por você. E eu estarei lá, ao seu lado, cobrindo nos de mar salgado e tenro, por você, por mim, por nós.

terça-feira, 21 de abril de 2026

sobre partir

o mais difícil de ir
é não ter pra onde voltar.
e o mais difícil de ficar
é o não poder estar.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Sem

Tentei me lembrar, como se fosse possível eu ter esquecido, do que fazia quando eu me sentia assim, esquisita. Foi então que me lembrei dessa caderneta, da Cícero, que a Ana me presenteou, minha amiga genial. Onde estão meus escritos mais tristes. E obviamente ingerindo algum tipo de álcool porque antes dele, estava doendo algo que eu não sei o que ou o que era, só sei que doía…
Culpei até o celular por ter usado em demasia, culpei a série que estava assistindo por ser pesada e que falava de morte e de estupro.
E então devo escrever como nunca havia escrito, acho que passei por coisas demais e elas não foram fantasias, foram reais, apesar de me questionar talvez quase todos os dias sobre a veracidade de cada fato. Mas nenhum deles houve roteiro, não houveram letras bonitas, nem trama atraente, nem trilha sonora, nem desfecho bom. Foi um horror.
Você sabe como é ter medo de sentir o próprio cheiro e ter repulsa da probalidade de fazer atiçar em alguém aquilo que me invada? Você sabe como é acordar no meio da noite e tentar fugir para qualquer lugar longe das mãos que me apalpam enquanto dormia?… todas as noites…
e é por isso o meu sono leve, minha gastrite e meus vômitos. O estado de nervo e de alerta… 
Preferia estar nas trevas onde o mal não me alcançava, só assim me sentia bem e eu também escrevia mas nunca, nunca sobre aquilo que me atravessava.
que me atravessava. sem linguagem.

terça-feira, 31 de março de 2026

não cabe na lista o que me foi levado

talvez tenha me ferido mais do que eu imaginava,
a cozinha que era confortável dizer que era minha enquanto muito se cobrava e muito se fazia ali, eu fazia.
quando na primeira oportunidade de acabar com ela foram lá, mãos que não as minhas desmontar a cozinha que era minha. 
talvez eu não perdoe nunca mais essas pessoas porque elas estão sempre cheias de razão. 
não tenho razão nenhuma para amá-las e todas as razões para desgostar com gosto o desgosto que foi conviver com esse lamento.

não tirei com as mãos mas resolvi com palavras. 

segunda-feira, 30 de março de 2026

depois de amanhã é abril

e se eu não conseguir dar conta de tudo?
do meu gato adoentado,
do cardápio a nascer,
da abóbora alaranjada no mundo das ideias,
da materialização do meu sonho, 
do banco que me cobra todo mês,
do aluguel que vence, 
da sanidade que nem sei…
de bancar meu fumo, meu futuro,
de não ser injusta,
de agir,
de mover,
de sair da paralisia que estou…

e se eu não conseguir,

os dias não esperam, não me esperam
e meu corpo um dia finda. 

e se.

terça-feira, 17 de março de 2026

cozinhando palavras, criando receitas

 eu tenho mais medo de escrever do que cozinhar para o presidente. 
ora, logo a escrita que faz parte de mim desde que aprendi a juntar as letras…
Mas parte de mim já cozinhava arroz e sovava massa. 
e escrevia
secretamente.

pela necessidade da sinceridade da minha escrita, Calina Onça precisa nascer para que as palavras de leopardo não se enganem e nem se engasguem mais.

sexta-feira, 6 de março de 2026

dar nomes

demorei a me dar conta que o fascismo morava comigo,
dormia debaixo do mesmo teto,
pregava o mesmo que eu condenava,
mas como me foi dado que eu precisava amar e respeitar 
aqueles que haviam me colocado no mundo
e aqueles que eram do meu sangue,
sai às ruas pra gritar contra as amarras e injustiças desse sistema.
sai vendada porque não entendia o que acontecia dentro de casa, de tão perto cega fui em não ver que em todas as pistas estava ali um laboratório de fascistas em formação.
E eu na rua gritando polícia fascista,
com tantos fascistas dormindo comigo e aproveitando do meu corpo e da minha mente. 

Fragile

 era quase natural dentro da militância, ser chamada de anarco individualista, primeiro por não me alimentar de animais e segundo por culpa da Emma Goldman. Mas veja só, há quem ainda está descobrindo em pleno dois mil de vinte seis que ações individuais fazem sociedades menos doentias ou ao contrário. 

domingo, 1 de março de 2026

não sei se andorinha ou peixe

Eu me achava muito corajosa, mas eu tenho uma amiga. 
Na verdade, eu tenho o privilégio de poder ver com meus próprios olhos os passos corajosos e um tanto solitários dela. É que ela mergulha como se tivesse vindo do ventre do oceano, e ela mergulha em suas decisões como quem já tivesse passado por aqui e sabe exatamente onde tudo isso vai dar. 
E ela sempre deixa espaço para eu entrar. 
E eu entrei na sua vida porque eu me achava corajosa. 
É porque eu ainda não a conhecia. 
E ela que saiu de um lugar tão tão distante do mar que se quer quem a deu à luz ousaria mergulhar, navegar. 
Karina, ela inspira a vida por seus poros. 
E um dia estarei mergulhando ao seu lado tão profundamente que nem saberemos o nome de todos os seres abissais que se aproximarem de nós. 
Obrigada, pelo gole generoso de coragem e gentileza. 
Faz sentido seguir aonde seus pés caminham e aonde as braçadas de seus braços nadam.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

ditos malditos pt VI

parece impossível encarar as crianças 
sem pensar nos olhos 
das minhas crianças que perdi, 
incluindo eu.

‘Primeiro eu fui enterrada viva. Depois, o céu desabou.’

ditos avulsos agora que tenho teclas 1

me organizar nas vontades que são muitas, entender porque eu estava/estive tão insegura, mesmo forçando meu próprio caminho no caminho da po...