Tentei me lembrar, como se fosse possível eu ter esquecido, do que fazia quando eu me sentia assim, esquisita. Foi então que me lembrei dessa caderneta, da Cícero, que a Ana me presenteou, minha amiga genial. Onde estão meus escritos mais tristes. E obviamente ingerindo algum tipo de álcool porque antes dele, estava doendo algo que eu não sei o que ou o que era, só sei que doía…
Culpei até o celular por ter usado em demasia, culpei a série que estava assistindo por ser pesada e que falava de morte e de estupro.
E então devo escrever como nunca havia escrito, acho que passei por coisas demais e elas não foram fantasias, foram reais, apesar de me questionar talvez quase todos os dias sobre a veracidade de cada fato. Mas nenhum deles houve roteiro, não houveram letras bonitas, nem trama atraente, nem trilha sonora, nem desfecho bom. Foi um horror.
Você sabe como é ter medo de sentir o próprio cheiro e ter repulsa da probalidade de fazer atiçar em alguém aquilo que me invada? Você sabe como é acordar no meio da noite e tentar fugir para qualquer lugar longe das mãos que me apalpam enquanto dormia?… todas as noites…
e é por isso o meu sono leve, minha gastrite e meus vômitos. O estado de nervo e de alerta…
Preferia estar nas trevas onde o mal não me alcançava, só assim me sentia bem e eu também escrevia mas nunca, nunca sobre aquilo que me atravessava.
que me atravessava. sem linguagem.
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