segunda-feira, 20 de abril de 2026

Sem

Tentei me lembrar, como se fosse possível eu ter esquecido, do que fazia quando eu me sentia assim, esquisita. Foi então que me lembrei dessa caderneta, da Cícero, que a Ana me presenteou, minha amiga genial. Onde estão meus escritos mais tristes. E obviamente ingerindo algum tipo de álcool porque antes dele, estava doendo algo que eu não sei o que ou o que era, só sei que doía…
Culpei até o celular por ter usado em demasia, culpei a série que estava assistindo por ser pesada e que falava de morte e de estupro.
E então devo escrever como nunca havia escrito, acho que passei por coisas demais e elas não foram fantasias, foram reais, apesar de me questionar talvez quase todos os dias sobre a veracidade de cada fato. Mas nenhum deles houve roteiro, não houveram letras bonitas, nem trama atraente, nem trilha sonora, nem desfecho bom. Foi um horror.
Você sabe como é ter medo de sentir o próprio cheiro e ter repulsa da probalidade de fazer atiçar em alguém aquilo que me invada? Você sabe como é acordar no meio da noite e tentar fugir para qualquer lugar longe das mãos que me apalpam enquanto dormia?… todas as noites…
e é por isso o meu sono leve, minha gastrite e meus vômitos. O estado de nervo e de alerta… 
Preferia estar nas trevas onde o mal não me alcançava, só assim me sentia bem e eu também escrevia mas nunca, nunca sobre aquilo que me atravessava.
que me atravessava. sem linguagem.

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