maracujá tem a flor da paixão e significa "alimento que se toma de sorvo"
eu sempre suspeitei que na verdade o maracujá assim como o physalis fossem de terras extraterrestres.
domingo, 24 de maio de 2026
de um outro planeta completamente futurista
Farto mundo dos fartos
au hasard balthazar
quinta-feira, 21 de maio de 2026
diário contra o alcoolismo pt iii levemente ressaqueada
quarta-feira, 20 de maio de 2026
ditos avulsos agora que tenho teclas? III
domingo, 17 de maio de 2026
comida II
comida
sábado, 16 de maio de 2026
sexta-feira, 15 de maio de 2026
Equação com deus
Na época da ebd, escola bíblica dominical, muito miúda, muito pequena - imagino que era - e a tarefa era pintar o céu e eu não pestanejei, fiz a lua e as estrelas, céu de noite. Talvez o único noturno ali onde tinham muitos sóis e nuvens. A professora olha o desenho e questiona, - o que é isso? Ora eu respondo, - estrelas – estrelas? Ela pergunta, e você já viu alguma estrela azul?
Não pode ser, pensei, errei de céu;
As estrelas não são azuis.
Deus não fez as estrelas azuis. Mas sabe, por exemplo, quantos fios de cabelo tem em cada cabeça de cada ser humano e cada pelo de cada animal sob a Terra, diziam eles. E nenhuma folha caia sem que Ele permitisse.
Era inevitável que eu passasse horas no banho tentando contar meus fios de cabelo antes que Deus calculasse e soubesse antes de mim. Mas mesmo molhado, era impossível e eu falhava toda vez. Não sou Deus e as estrelas nunca foram azuis porque não sou Deus e nunca saberei quantos fios de cabelo eu tenho;
Chão ladrilhado vermelho de cerâmica que eu amava andar de bicicleta, e a goiabeira de galhos finos e firmes, e goiabas, produzia inúmeras goiabas, e era onde me deitava em baixo e imaginava quantas liberações Deus deu para aquela goiabeira do setor Coimbra na quadra da igreja São Judas Tadeu. Eu e minhas horas de sobra para tentar bater a equação de Deus. Mas às vezes nem folha caia, nem folha tinha, falhava toda vez.
Imaginava Deus ocupado, com vários braços, com várias liberações e afazeres eternos, numerosos e infinitos, que até doia minha cabeça só de pensar em quantas cabeças Deus teve que somar para saber quantos fios eu também tenho; Passei a achar que seria um peso não ajudar Ele nessa equação eterna. De tanto martelar comecei a desconfiar secretamente de que Deus não estava muito interessado nessas equações.
...
Muito menos em quantos fios de cabelo eu tinha, ou quais folhas Ele permitiria cair do pé de goiaba do meu setor ou se eu achava que as estrelas eram azuis. Ou se eu me sentia sozinha ou se tinha pavor do que me rodeava ou se eu usava da violência suicida para chegar aos meus limites que ainda não sabia quais eram, nem se ele me protegia assim ou se ele se quer me ouvia ou se quer se seus fies eram mesmo fies assim.
Talvez fosse porque ao orar ajoelhada na cama eu dormia antes do amém. Eu nunca seria ouvida. A equação não fechava. Eu talvez não fosse assim pura e desconfiasse se deus existia realmente.
E todos esses pensamentos já eram pecaminosos. E de equação com deus, saí devendo.
desafogo, desato em fogo
ditos avulsos agora que tenho teclas II
sonhei com um fusca conversível
e que eu bebia a melhor cerveja zero do mundo;
acordei escutando jazz iraniano
nunca termino o café antes dele esfriar;
por que a manhã passa mais rápido que a madrugada?
seria porque na madrugada não se faz almoço?
há muito, muito tempo eu não tinha tempo
é uma dádiva poder pensar na vida, com tempo.
parece que vou lançar um livro,
você me lê na esperança de dizer algo sobre você?
quem são os componentes de um livro de uma pessoa?
poderia escrever um livro completo
apenas descrevendo os olhos
e os pelos dos meus felinos;
eu cheguei a conclusão do livro,
porque minha busca insaciável
pela descrição do que eu sinto
não existe fora de mim.
minha nova noia são as portas destrancadas em que me apoio.
e enfim, água de batata sacia meu demônio interno;
tem quem tenha nojo de água de batata.
a batata, logo ela, que é mais limpa que todos nós.
quarta-feira, 13 de maio de 2026
movimento
cozinhando inhames
terça-feira, 12 de maio de 2026
ditos malditos
segunda-feira, 11 de maio de 2026
o perigo dos mares
terça-feira, 5 de maio de 2026
ditos avulsos agora que tenho teclas 1
me organizar nas vontades que são muitas,
entender porque eu estava/estive tão insegura,
mesmo forçando meu próprio caminho no caminho da possível insegurança;
como que eu conseguia escrever tanto sem ter algumas teclas?
não é porque a cozinha é algo tão ancestral que eu precisava ficar tão longe da tecnologia.
mil reais custa o curso sobre ser resiliente e ter inteligência emocional
como se fosse possível criar um curso tão resiliente assim para ser resiliente.
talvez eu não saiba a fundo o que seja ser resiliente,
mesmo sendo.
seria o meu desejo mais obscuro o de ser solitária, ilegal e foragida?
(tentando interpretar meus sonhos)
difícil que ao tentar enxergá-lo como um código
sempre dá erro,
é preciso acessar a placa mãe.
e vou de sonho em sonho a galope dessas linguagens.