qual a serventia do prazer do deslize, da colisão com o asfalto se quem dirige, dirige como quem é de lata, sem coração, um gelo.
um estranhamento entre certezas e solidão.
o silêncio deixa uma confusão.
o vento na cara deixa a sensação de liberdade com resquícios de ânimo.
quem poderia dizer que o que nos consola não é nunca consolado?
quem ousaria escrever sob as pedras as mais exageradamente sinceras declarações de amor quando se é vazio?
quando que com a mão estendida sob a sombra de qualquer sujeito pode-se ter uma falsa estima, um falso afeto, confundido por amor e carência?
onde a pista do outro interfere nos rumos que se decide tomar? antes mesmo das promessas juradas ao apagar velas. antes de se cogitar comunicar com a paixão e o desalento.
é preciso recuar pra poder, com esperteza daquele a quem me ensina, atravessar sem ser massacrada.
palavras escorrem pelos meus lábios mas nunca são ditas, maldita seja quem as calou.
no deslize que meus dedos se impõe em um pequeno objeto de distração, questões e junções de frases para algum alguém se sentir contemplado.
quem disse que proclamo?
proclamo entender a confusão dessa cidade, desse caos a que me chamo, a que me proclamo, a quem declamo.