terça-feira, 30 de agosto de 2022

sintoma V

qual a serventia do prazer do deslize, da colisão com o asfalto se quem dirige, dirige como quem é de lata, sem coração, um gelo.
um estranhamento entre certezas e solidão.
o silêncio deixa uma confusão.

o vento na cara deixa a sensação de liberdade com resquícios de ânimo.
quem poderia dizer que o que nos consola não é nunca consolado?
quem ousaria escrever sob as pedras as mais exageradamente sinceras declarações de amor quando se é vazio? 
quando que com a mão estendida sob a sombra de qualquer sujeito pode-se ter uma falsa estima, um falso afeto, confundido por amor e carência?
onde a pista do outro interfere nos rumos que se decide tomar? antes mesmo das promessas juradas ao apagar velas. antes de se cogitar comunicar com a paixão e o desalento.

é preciso recuar pra poder, com esperteza daquele a quem me ensina, atravessar sem ser massacrada.
palavras escorrem pelos meus lábios mas nunca são ditas, maldita seja quem as calou.
no deslize que meus dedos se impõe em um pequeno objeto de distração, questões e junções de frases para algum alguém se sentir contemplado.
quem disse que proclamo? 
proclamo entender a confusão dessa cidade, desse caos a que me chamo, a que me proclamo, a quem declamo.

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

último ato

te vi na televisão,
não foi como se você estivesse aqui
foi como um punhal 
apunhalando a saudade 
te vi na tela, tão vivo
te vi como se você tivesse aqui
como se tivesse aqui por alguns minutos 
e até quase me esqueci que você não está.
você não quis ficar. 

domingo, 21 de agosto de 2022

terça-feira, 16 de agosto de 2022

sonhos sonhos são

você em tons de lilás 
sorrindo como se estivesse 
comendo algodão doce azul
assistindo a um filme em cima do seu carro
o filme era eu 
mas você foi a melhor parte da historia
inesquecível como combinava
com todas as cores e como me ditava 
seu humor, seu tom, seu sorriso
em pleno paraíso.

culpa

Conseguir com que a culpa não se torne

Unicamente minha sina

Lamentaria se nem ao menos uma vez

Pudesse me ensinar a ser melhor

Ao invés de me condenar como sempre faz

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

devoro

tenho devorado tudo aquilo que me inspira vida
tenho me afastado, a cada momento de intensidade,
daquilo que me remete a morte
tenho ingerido, consumido adrenalina, corpos e poesia
música que me eleva, por vezes repetidas
assim eu sinto, que consigo sobreviver, de fato.
depois de sugada, a correria de permanecer viva
não me deixa cansada, não me deixa desfalecer. 

‘Primeiro eu fui enterrada viva. Depois, o céu desabou.’

cozinhando palavras, criando receitas

  eu tenho mais medo de escrever do que cozinhar para o presidente.  ora, logo a escrita que faz parte de mim desde que aprendi a juntar as ...