sábado, 28 de outubro de 2023

eu sou covarde.

o amor me dá calafrios
o amor pronunciado, 
proferido, 
profetizado, 
idealizado, 
roubado, 
assassinado,
o amor como sentir, 
daquele que te pega de assalto,
o amor assaltado.
me causa arrepios 
faz com que minha arritmia estoure os pneus da minha bicicleta 
enquanto desço a avenida mais movimentada da cidade.
pular ou não sempre volta para lembrar que eu tenho medo, esse texto não é sobre coragem.

terça-feira, 17 de outubro de 2023

filme

a vida em qualquer instância 
seja uma quadra, um quadro, um quarto
um bairro, um lixo, uma bagunça,
quando enquadrada, filmada e decorrida
vira tudo poesia.
e eu amo ver poesias nas banalidades.

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

não tenho medo de altura

do precipício que é minha casa
do telhado a qual pertence minha morada
a este ainda não fiz as pazes
desse precipício que se principiou meu fim
sigo a te encarar.
tu não é se não meu abismo,
tu não é se não mais enlouquecido que eu
para me encarar de volta
sigo eu te admirando,
ainda fitando suas curvas e formas.
te digo que em breve,
muito em breve
estaremos assegurados
que você não é o meu fim.
e que eu, eu sou o meu início e recomeço.

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

desabafo desde que você partiu parte mil

quase um ano e meio
e eu ainda espero por uma carta
uma linha, uma frase, um escrito
um livro, uma dedicatória, 
um xingamento, um áudio,
qualquer coisa deixada
proposital ou acidental,

qualquer coisa

qualquer coisa
que faça com que eu te sinta de novo,
nem que um pouco, por um pouco.
sonho? nem nos sonhos tu me aparece?
todos me visitam, menos você.

o que me faz abrir tantas portas
pra ter certeza absoluta 
que de fato, você não está mais aqui.
o que na verdade eu preciso fechar
pra não ter mais raiva?

às vezes eu te entendo
às vezes eu te odeio
às vezes eu te abstraio
às vezes eu te condeno
às vezes eu te perdôo

eu te odeio

quando te vi,
deitado,
punho fechado,
eu queria gritar
no seu ouvido:
levanta dai
seu otario.

quando te vi
a última vez
eu queria 
gritar na sua cara
porque eu nunca 
soube te dizer
o que eu sentia.

um dia você me viu
eu te vi encenando
você olhou pra mim
e gritou
tão alto 
que eu quase cai.
todos olharam pra mim.

eu queria
ter gritado
tão alto 
tão alto
pra tu não ir. 

às vezes dói 
às vezes está tudo bem
às vezes quero falar de ti
às vezes não toquem nesse nome.

nunca mais, meu nobre amigo?
ok, eu aceito.
às vezes  
esfrego minhas mãos 
com folhas 
de cheiros que gosto
penso em ti
e te trago um pouco 
nem que seja um pouco
pra perto.



tu me partistes
em mil pedaços 
e até hoje 
cá estou a me recolher.

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

do alto a prece

que fazendo as pazes com deus
e todos os orixás me traga quietude,
que de coração que sangra 
meu corpo está e segue fatigado,
se no álcool não encontrei companhia, 
se do telhado não me pude jogar,
que as cartas me guiem 
e minha futura guia me proteja,
proteja daquilo que mais me é arriscado, de mim mesma.

terça-feira, 3 de outubro de 2023

‘Primeiro eu fui enterrada viva. Depois, o céu desabou.’

cozinhando palavras, criando receitas

  eu tenho mais medo de escrever do que cozinhar para o presidente.  ora, logo a escrita que faz parte de mim desde que aprendi a juntar as ...