quase um ano e meio
e eu ainda espero por uma carta
uma linha, uma frase, um escrito
um livro, uma dedicatória,
um xingamento, um áudio,
qualquer coisa deixada,
proposital ou acidental,
qualquer coisa
qualquer coisa
que faça com que eu te sinta de novo,
nem que um pouco, por um pouco.
sonho? nem nos sonhos tu me aparece?
todos me visitam, menos você.
o que me faz abrir tantas portas
pra ter certeza absoluta
que de fato, você não está mais aqui.
o que na verdade eu preciso fechar
pra não ter mais raiva?
às vezes eu te entendo
às vezes eu te odeio
às vezes eu te abstraio
às vezes eu te condeno
às vezes eu te perdôo
eu te odeio
quando te vi,
deitado,
punho fechado,
eu queria gritar
no seu ouvido:
levanta dai
seu otario.
quando te vi
a última vez
eu queria
gritar na sua cara
porque eu nunca
soube te dizer
o que eu sentia.
um dia você me viu
eu te vi encenando
você olhou pra mim
e gritou
tão alto
que eu quase cai.
todos olharam pra mim.
…
eu queria
ter gritado
tão alto
tão alto
pra tu não ir.
…
às vezes dói
às vezes está tudo bem
às vezes quero falar de ti
às vezes não toquem nesse nome.
nunca mais, meu nobre amigo?
ok, eu aceito.
às vezes
esfrego minhas mãos
com folhas
de cheiros que gosto
penso em ti
e te trago um pouco
nem que seja um pouco
pra perto.
tu me partistes
em mil pedaços
e até hoje
cá estou a me recolher.