segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

martelou

martelou

até que 

martelado

continuou



o que me resta, resta muito

qual é o novo que entra nessa vida velha?
se meu lar sempre foi itinerante,
era apenas porque não era meu.
de novo o novo logo chegou.
de velho apenas minhas novas rugas.
do que importa toda essa correria 
se não posso viver a vida que não me deixaram ceifar?
pois vivi, viva como estou
me resta apenas viver.

domingo, 8 de dezembro de 2024

*Transcrição* - auto_recado.@


Parar de tratar tudo com tanto medo. Parar de chorar porque se viu sozinha, em defesa, com medo. Parar de fugir de ter coragem, parar de ser covarde, parar de se encurralar. Parar de chorar sem reagir. Ser adulta. Caralho, você é uma pessoa adulta. Não tem mais como agir assim. Nem esperar que alguém abrace seu medo, sem nem que você consiga contar para as pessoas sobre ele. abrace seu medo.
 Parar. pare
e ponto.* -

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

looping

ter que defender a tristeza nos dias em que vivemos é como defender o ar que respiramos. 

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

sábado, 19 de outubro de 2024

eu caos

o barco que atracou no meu caos
rasgou-se as velas
cresceu-se forte pedra
por de baixo
e agora parece afundar 
lentamente.

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

im not here

 Here Without You
3 Doors Down

Essa música é terrivelmente clichê, mas era a música que eu mais ouvia quando entrei na escolinha de inglês.

A hundred days have made me older
Since the last time that I saw your pretty face
A thousand lies have made me colder
And I don't think I can look at this the same

But all the miles that separate
They disappear now when I'm dreaming of your face

I'm here without you, baby
But you're still on my lonely mind
I think about you, baby
And I dream about you all the time
I'm here without you, baby
But you're still with me in my dreams
And tonight, it's only you and me, yeah
The miles just keep rolling
As the people leave their way to say hello
I've heard this life is overrated
But I hope that it gets better as we go, oh, yeah, yeah

I'm here without you, baby
But you're still on my lonely mind
I think about you, baby
And I dream about you all the time
I'm here without you, baby
But you're still with me in my dreams
And tonight, girl, it's only you and me

Everything I know, and anywhere I go
It gets hard, but it won't take away my love
And when the last one falls, when it's all said and done
It gets hard, but it won't take away my love, oh, oh, oh

I'm here without you, baby
But you're still on my lonely mind
I think about you, baby
And I dream about you all the time
I'm here without you, baby
But you're still with me in my dreams
And tonight, girl, it's only you and me, yeah, oh, yeah
Oh, oh, oh

E eu não estava apaixonada.
E toda santa vez que eu ouço essa música eu me lembro da escolinha de inglês em que eu era bully nada, nada, eu me sentia nada, eu sentia saudades de mim, porque eu no fundo sabia que eu era muito melhor que isso. Continuei sem saber sobre o que dizia a música porque na verdade eu odiava inglês.

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

 depois das amputações 
        (t a n t a s)
os cortes são só os cortes.


E … CORTA.

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

eclesiástes

Melhor é a boa fama do que o melhor ungüento, e o dia da morte do que o dia do nascimento de alguém.

Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, porque naquela está o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração.

Melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração.

O coração dos sábios está na casa do luto, mas o coração dos tolos na casa da alegria.

Melhor é ouvir a repreensão do sábio, do que ouvir alguém a canção do tolo.

Porque qual o crepitar dos espinhos debaixo de uma panela, tal é o riso do tolo; também isto é vaidade.

Verdadeiramente que a opressão faria endoidecer até ao sábio, e o suborno corrompe o coração.

Melhor é o fim das coisas do que o princípio delas; melhor é o paciente de espírito do que o altivo de espírito.

Não te apresses no teu espírito a irar-te, porque a ira repousa no íntimo dos tolos.

10 Nunca digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Porque não provém da sabedoria esta pergunta.

11 Tão boa é a sabedoria como a herança, e dela tiram proveito os que vêem o sol.

12 Porque a sabedoria serve de defesa, como de defesa serve o dinheiro; mas a excelência do conhecimento é que a sabedoria dá vida ao seu possuidor.

terça-feira, 3 de setembro de 2024

te dedico

Um dia eu escrevi que nunca mais escreveria sobre amor,
sobre amores.
Tudo quanto está escrito e registrado, tudo quanto parecia ser amor no meu peito era claro que não ardia chama invisível alguma.

Como o exagero dos poetas e as lamentações dos artistas
tal como eles, eu de exagerada que um dia escrevi que não mais escreveria, tenho hoje vontade de te dedicar todos os meus versos. 

E cada palavra que saia da sua boca, que caia em minhas estrofes e penetre como bem faz em minha vida.

E cada palavra escrita por mim seja como minhas garras a acaricia-lo às costas.

E que nunca, nunca falte palavras em nossos dias.

sábado, 17 de agosto de 2024

saliência

a vida tem dessas coisas
de empoeirar tudo
sensação de abandono
os vermes ficam até apostos

ai vem você 

ai vem o exagero da vontade de te ver

a pressa do movimento 
do seu corpo dentro de mim
dos meus pés nos seus peitos
dos seus olhos revirados

nunca empoeira essa pressa
nunca sacia a vontade do seu gosto
nunca me deixa com fome
nunca te deixo que falte alimento na sua boca
nunca me canso da sua água viva 

que hidrata tudo o que há de mais bonito aqui dentro.
nunca me sinto abandonada.

sábado, 20 de julho de 2024

ROM pt4

aqui,

ele já teria costurado 
a rua como se    
               fosse

           ponto 

        cruz.
              

ROM pt3

até evitei a moto
fui de carro sem pestanejar 
tu me embutiu um colar
pediu minha mão 
e agora não posso morrer
porque te amo

sexta-feira, 21 de junho de 2024

quarta-feira, 22 de maio de 2024

os caminhos da minha terra

 sinto que estrapolo certas delimitações que um dia tracei de forma amedrontada em que estive, estrapolando a cada hora na velocidade da sua intensidade. 
sinto que estrapolar me dá coragem e me tira do estado paralisante que por hora me encontrava.
sinto que meu coração vai a boca e tenho vontade de chorar toda vez quando arranca todo o líquido do meu corpo,
quando hidrata minha pele com a sua saliva e beija meus pés como se eu fosse uma rainha.
sinto amedrontada a possibilidade de não ver mais seus olhos nem receber mais suas grandes mãos em minhas curtas curvas
sinto que sangro toda vez que percebo que talvez eu tenha tantos medos paralisantes que me sangram até chegar meu fim, meu fim que não sei, que está aqui ou não. que aguardo meio que sentada meio que correndo. 
sinto seu coração e sua veia saltada do pescoço como se fosse eu, como se seu coração fosse meu, como se seu sangue fosse eu.
 às vezes quero te tirar daqui, às vezes quero sair daqui de mãos dadas com você, de mãos beijadas por você. 
às vezes acredito piamente que a doença habita dentro de nós mas também habita o antídoto. porque na sombra que nos habita só habita porque somos um sol irradiante enorme que faz contraste e cria essa monstruosa penumbra. 
 a cura que de dentro ela vem da força, do saber do estado em que se encontra, não vem de fora, não vem de longe, não vem distante, não vem do nada. 
o caminho é turvo, sinuoso, contra mão, confuso e impiedoso, quem se perde demora pra encontrar novamente a via. 
que não sejamos nós esses que se perdem.

 

quinta-feira, 16 de maio de 2024

antecedendo a dor

hoje a tarde
tive medo que as coisas mudassem
sofri um pouquinho
chorei contido 
baixinho.

não queria que mudasse 
o que sinto,
nem
o que sente.

veloz

acho meio ilógico te amar tanto sendo que fomos agora a pouco apresentados nessa vida. 
ilógico porque 
não palpável 
não explicável 

só sentindo o que eu sinto quando olho pra você.
dai então faz toda lógica. 
te amar assim. 
com ferocidade.

já morei em tanta casa

 parece que estou sempre começando do zero
tudo que eu construo
eu abdico 

até que mudei de endereço 

agora tudo que conquisto
ninguém e nem força tamanha
nenhuma
me tira meia coisa se quer.

segunda-feira, 13 de maio de 2024

acreuna

aquele carro capotou há dez anos atrás 
e eu ainda choro
até hoje eu choro

o dia de hoje,
é choro.

sábado, 20 de abril de 2024

segunda-feira, 1 de abril de 2024

dias lindos

se abriu no espaço tempo dos meus dias 
belos dias e boas horas
tempo de qualidade, tempo de verdade
o tempo não me trai, me atrai para boniteza dos olhos que me observam encantado
me atrai para o verde que nunca esteve tão vivo
abriu meu portal para dizer que estou pronta
para ressignificar meu abril.

quinta-feira, 28 de março de 2024

quarta-feira, 13 de março de 2024

meu coração relampeia

me diga,
como trovoa no seu bairro? 
como é o cheiro da chuva que caiu no chão do seu quintal? 
como são os sons relampeados que caem nas antenas?
qual é o gosto da água que escorre no seu céu?

eu sei que eu estava lá, 
mas é que gosto de te ver falando 
e poder namorar sua voz um pouco mais, 
um pouco mais.
um pouco mais.

domingo, 10 de março de 2024

 quando se viveu de morte a longa distância é logo ali

a luz que irradia

próximo a parte antessuperior do busto, tu repousava cansado pouco depois de dizer que não pegava no sono facilmente. 
te acordei para apagar luz e então se recostou  novamente e continuou a dormir, no colo, abaixo do pescoço, antes dos seios. facilmente. 
passaria horas olhando o quadro vivo                  que é você 

um dia eu sonhei que escrevia sobre meu processo de me erguer do calabouço

 de fato após decretado a minha morte, primeiro eu fui enterrada em um caixão feio improvisado de madeira velha mofada, soterrada em terra vermelha molhada e pesada. nada indicava que havia se quer uma fresta de vida que entrasse ou soprasse por qualquer poro de caminho criado pelas minhocas que já trabalhavam em meu corpo em putrefação. 
dito e entendido aqui o quanto não havia pulsão alguma de vida, onde dos precipícios em algum abril próximo era eu quem me jogava. cada ano um que partia, e era eu, era eu por alguns anos, enterrada, provavelmente a decomposição estava em processo avançado até que, longe de ser repentino, os lençóis gelados que me cobriam, os braços invisíveis que me aconchegavam, o travesseiro confortável que eu inventei, e os pés invencíveis que ainda me acompanhavam, decidiu-se então, não por mero ato de decidir mas de insistir mesmo que feia e putreficada e provavelmente macabra, decidiu-se sair, sair do cemitério que jazia, parou de chamar desalento de lar, saltou de volta do precipício que havia se atirado. e então com os olhos que não sabia que ainda enxergavam, passou a sentir o vento no rosto como em três d, passou a queimar a pele com o sol que irradia o verão chuvoso, passou a molhar os pés nas enxurradas fétidas da cidade grande, passou a ver cores nos edifícios e nas briófitas, passou a ser surda quando precisava e raivosa quando apetecia. passou a ser a marceneira de seu próprio caixão, e passou a aprender a amar a arte que sabe fazer com as mãos. e sobre a terra vermelha molhada e fria não teve ao que regressar, pelo menos não ainda. 

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

foge e fica

era ano novo
e eu em minha solidão 
assisti a uma sequência 
ininterrupta de filmes
era carnaval
e eu em minha solidão 
li uma sequência 
ininterrupta de páginas 
de um livro quase completo.
e eu em minha solidão 
tenho tamanho apreço 
e alegria em estar acompanhada
de personagens não reais
mas mais reais que muita gente.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

época vitoriana fantástica

no fundo temos todas um pouco de bella baxter em nossos corações.

ou talvez eu tenha errado o músculo 

em nossas cabeças. 

ou órgão 

em nossos olhos.


o mal é bom, o bem cruel.

não tem sal aqueles
que não há nada de selvagem

e nem um pouco de tristeza.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

notas do ofício

aprendo mais do que se imagina
com lentilhas e feijões 

tudo que na miudeza 
se desemboca em imensidão.

nomeio como fartura.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

eu sinto saudades

não é piada não 
mas mais de uma pessoa 
morreu no seu enterro
e o engraçado, 
que não tem graça 
é que 
aquele que morreu,
morrendo,
me ensinou a não morrer.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

hétero frágil

Atravessando a rua do mercado eu já sabia dos perigos de encontrar muitas pessoas.
Mas encontrar você é horrível.
Não que eu te culpe, mas é que toda vez que te vejo eu lembro o quanto você foi covarde, me lembra o quanto a maior parte dos homens aparentam tanto serem matulões e são na verdade um poço de fragilidade e medo. 
Não que tenha sido diretamente sua culpa, não é te culpabilizando por alguém que eu tinha tanto apreço, não você, você era só uma pessoa que existia a minha volta, mas ela, ela me era muito especial, e eu, mulher, a defendi com unhas e dentes, 
não é te culpabilizando da sua covardia, mas ver você me lembra que ela se enforcou e isso definitivamente, não me traz alegria nenhuma, me lembra que foram muitos homens que a colocaram naquela corda,
me lembra que ela não está mais aqui e vocês sim, me lembra o quanto eu queria que fosse mentira, me lembra quantas vezes eu queria estar naquela corda
dai não quero chorar no mercado não quero me sentir mais triste do que já ando me sentindo e ainda sentir as esperanças passar como vento em meus cabelos.
então, 
eu te verei, eu vou virar e vou seguir meu caminho.
se você entrar também no mercado eu vou sair pela outra porta, se não houver como sair por outra porta eu fingirei que não te conheço tal qual você fez com ela.

domingo, 21 de janeiro de 2024

sábado, 20 de janeiro de 2024

sussuros

eu sonhei que morava sozinha
e não sentia medo
de estar completamente sozinha 
eu encobri minha tristeza 
eu fingi ser mais forte possível 
estrada rural, velha estrada
se você for até o fim
eu acho que me levará 
até aquela cidade, estrada rural
não importa o quão triste eu esteja
não deixarei uma lágrima escapar.

se meus pés se movem rápido 
é porque eu quero
afastar as memórias.

Eu não posso seguir aquela estrada.

Quando o amanhã chegar 
eu serei a mesma de sempre 

Adeus.  


                         sussurros do coração

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

chuva tropical

não é sobre ter um sol atrás das nuvens pesadas 
é sobre avistar ao longe o céu limpo, 
o sol vai estar onde está, 
quem se esvai são as carregadas nuvens que me fazem doer as costas e os olhos dessas pesadas águas que insistem em desabar.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

só minha

 ‘casei com a dor
e essa dor
ela é minha’

grito se esvai

antes mesmo de ser interrompida,
estava a dizer sobre gritaria,

que minha pessoa grita à própria tristeza
para que não me siga mais.

tu, gritarias? 
eu, gritaria?

eu 
assim pensando
prensei
meu 
dedo

na porta
gritei

pra 
dentro.

o t i r g
o r t n e d

.

oan
ias

bicho se dissolve

 “toda vez que eu vou, a porta some

    a janela some na parede.”

sábado, 13 de janeiro de 2024

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

paris, texas

 luto contra meus lutos como quem vaga sem casa,

 sem rumo, sem saber. 

mas continuo.

hoje, digo sinceramente, 

tem sido menos difícil seguir.


‘Primeiro eu fui enterrada viva. Depois, o céu desabou.’

cozinhando palavras, criando receitas

  eu tenho mais medo de escrever do que cozinhar para o presidente.  ora, logo a escrita que faz parte de mim desde que aprendi a juntar as ...