Atravessando a rua do mercado eu já sabia dos perigos de encontrar muitas pessoas.
Mas encontrar você é horrível.
Não que eu te culpe, mas é que toda vez que te vejo eu lembro o quanto você foi covarde, me lembra o quanto a maior parte dos homens aparentam tanto serem matulões e são na verdade um poço de fragilidade e medo.
Não que tenha sido diretamente sua culpa, não é te culpabilizando por alguém que eu tinha tanto apreço, não você, você era só uma pessoa que existia a minha volta, mas ela, ela me era muito especial, e eu, mulher, a defendi com unhas e dentes,
não é te culpabilizando da sua covardia, mas ver você me lembra que ela se enforcou e isso definitivamente, não me traz alegria nenhuma, me lembra que foram muitos homens que a colocaram naquela corda,
me lembra que ela não está mais aqui e vocês sim, me lembra o quanto eu queria que fosse mentira, me lembra quantas vezes eu queria estar naquela corda
dai não quero chorar no mercado não quero me sentir mais triste do que já ando me sentindo e ainda sentir as esperanças passar como vento em meus cabelos.
então,
eu te verei, eu vou virar e vou seguir meu caminho.
se você entrar também no mercado eu vou sair pela outra porta, se não houver como sair por outra porta eu fingirei que não te conheço tal qual você fez com ela.