quinta-feira, 28 de março de 2024

quarta-feira, 13 de março de 2024

meu coração relampeia

me diga,
como trovoa no seu bairro? 
como é o cheiro da chuva que caiu no chão do seu quintal? 
como são os sons relampeados que caem nas antenas?
qual é o gosto da água que escorre no seu céu?

eu sei que eu estava lá, 
mas é que gosto de te ver falando 
e poder namorar sua voz um pouco mais, 
um pouco mais.
um pouco mais.

domingo, 10 de março de 2024

 quando se viveu de morte a longa distância é logo ali

a luz que irradia

próximo a parte antessuperior do busto, tu repousava cansado pouco depois de dizer que não pegava no sono facilmente. 
te acordei para apagar luz e então se recostou  novamente e continuou a dormir, no colo, abaixo do pescoço, antes dos seios. facilmente. 
passaria horas olhando o quadro vivo                  que é você 

um dia eu sonhei que escrevia sobre meu processo de me erguer do calabouço

 de fato após decretado a minha morte, primeiro eu fui enterrada em um caixão feio improvisado de madeira velha mofada, soterrada em terra vermelha molhada e pesada. nada indicava que havia se quer uma fresta de vida que entrasse ou soprasse por qualquer poro de caminho criado pelas minhocas que já trabalhavam em meu corpo em putrefação. 
dito e entendido aqui o quanto não havia pulsão alguma de vida, onde dos precipícios em algum abril próximo era eu quem me jogava. cada ano um que partia, e era eu, era eu por alguns anos, enterrada, provavelmente a decomposição estava em processo avançado até que, longe de ser repentino, os lençóis gelados que me cobriam, os braços invisíveis que me aconchegavam, o travesseiro confortável que eu inventei, e os pés invencíveis que ainda me acompanhavam, decidiu-se então, não por mero ato de decidir mas de insistir mesmo que feia e putreficada e provavelmente macabra, decidiu-se sair, sair do cemitério que jazia, parou de chamar desalento de lar, saltou de volta do precipício que havia se atirado. e então com os olhos que não sabia que ainda enxergavam, passou a sentir o vento no rosto como em três d, passou a queimar a pele com o sol que irradia o verão chuvoso, passou a molhar os pés nas enxurradas fétidas da cidade grande, passou a ver cores nos edifícios e nas briófitas, passou a ser surda quando precisava e raivosa quando apetecia. passou a ser a marceneira de seu próprio caixão, e passou a aprender a amar a arte que sabe fazer com as mãos. e sobre a terra vermelha molhada e fria não teve ao que regressar, pelo menos não ainda. 

‘Primeiro eu fui enterrada viva. Depois, o céu desabou.’

cozinhando palavras, criando receitas

  eu tenho mais medo de escrever do que cozinhar para o presidente.  ora, logo a escrita que faz parte de mim desde que aprendi a juntar as ...