sinto que estrapolo certas delimitações que um dia tracei de forma amedrontada em que estive, estrapolando a cada hora na velocidade da sua intensidade.
sinto que estrapolar me dá coragem e me tira do estado paralisante que por hora me encontrava.
sinto que meu coração vai a boca e tenho vontade de chorar toda vez quando arranca todo o líquido do meu corpo,
quando hidrata minha pele com a sua saliva e beija meus pés como se eu fosse uma rainha.
sinto amedrontada a possibilidade de não ver mais seus olhos nem receber mais suas grandes mãos em minhas curtas curvas
sinto que sangro toda vez que percebo que talvez eu tenha tantos medos paralisantes que me sangram até chegar meu fim, meu fim que não sei, que está aqui ou não. que aguardo meio que sentada meio que correndo.
sinto seu coração e sua veia saltada do pescoço como se fosse eu, como se seu coração fosse meu, como se seu sangue fosse eu.
às vezes quero te tirar daqui, às vezes quero sair daqui de mãos dadas com você, de mãos beijadas por você.
às vezes acredito piamente que a doença habita dentro de nós mas também habita o antídoto. porque na sombra que nos habita só habita porque somos um sol irradiante enorme que faz contraste e cria essa monstruosa penumbra.
a cura que de dentro ela vem da força, do saber do estado em que se encontra, não vem de fora, não vem de longe, não vem distante, não vem do nada.
o caminho é turvo, sinuoso, contra mão, confuso e impiedoso, quem se perde demora pra encontrar novamente a via.
que não sejamos nós esses que se perdem.