quarta-feira, 22 de maio de 2024

os caminhos da minha terra

 sinto que estrapolo certas delimitações que um dia tracei de forma amedrontada em que estive, estrapolando a cada hora na velocidade da sua intensidade. 
sinto que estrapolar me dá coragem e me tira do estado paralisante que por hora me encontrava.
sinto que meu coração vai a boca e tenho vontade de chorar toda vez quando arranca todo o líquido do meu corpo,
quando hidrata minha pele com a sua saliva e beija meus pés como se eu fosse uma rainha.
sinto amedrontada a possibilidade de não ver mais seus olhos nem receber mais suas grandes mãos em minhas curtas curvas
sinto que sangro toda vez que percebo que talvez eu tenha tantos medos paralisantes que me sangram até chegar meu fim, meu fim que não sei, que está aqui ou não. que aguardo meio que sentada meio que correndo. 
sinto seu coração e sua veia saltada do pescoço como se fosse eu, como se seu coração fosse meu, como se seu sangue fosse eu.
 às vezes quero te tirar daqui, às vezes quero sair daqui de mãos dadas com você, de mãos beijadas por você. 
às vezes acredito piamente que a doença habita dentro de nós mas também habita o antídoto. porque na sombra que nos habita só habita porque somos um sol irradiante enorme que faz contraste e cria essa monstruosa penumbra. 
 a cura que de dentro ela vem da força, do saber do estado em que se encontra, não vem de fora, não vem de longe, não vem distante, não vem do nada. 
o caminho é turvo, sinuoso, contra mão, confuso e impiedoso, quem se perde demora pra encontrar novamente a via. 
que não sejamos nós esses que se perdem.

 

quinta-feira, 16 de maio de 2024

antecedendo a dor

hoje a tarde
tive medo que as coisas mudassem
sofri um pouquinho
chorei contido 
baixinho.

não queria que mudasse 
o que sinto,
nem
o que sente.

veloz

acho meio ilógico te amar tanto sendo que fomos agora a pouco apresentados nessa vida. 
ilógico porque 
não palpável 
não explicável 

só sentindo o que eu sinto quando olho pra você.
dai então faz toda lógica. 
te amar assim. 
com ferocidade.

já morei em tanta casa

 parece que estou sempre começando do zero
tudo que eu construo
eu abdico 

até que mudei de endereço 

agora tudo que conquisto
ninguém e nem força tamanha
nenhuma
me tira meia coisa se quer.

segunda-feira, 13 de maio de 2024

acreuna

aquele carro capotou há dez anos atrás 
e eu ainda choro
até hoje eu choro

o dia de hoje,
é choro.

‘Primeiro eu fui enterrada viva. Depois, o céu desabou.’

cozinhando palavras, criando receitas

  eu tenho mais medo de escrever do que cozinhar para o presidente.  ora, logo a escrita que faz parte de mim desde que aprendi a juntar as ...