quarta-feira, 17 de setembro de 2025

recados ditos em voz alta I

 mas nem sempre o amor é transvestido de verdade, às vezes o amor engana o próprio corpo que o acomete, minha mãe diz que é cuidado mas eu só sinto veneno. 
e talvez a única forma de amor que ela é capaz e a mesma que lhe foi dado se chama cicuta pois amar aquilo que aprisiona é também uma forma de auto destruição, é beber veneno e definhar vagarosamente.

gaza, mia.

 eu não só cogitei como tentei conversar com a minha gata e ensiná-la que ela é gata e precisa miar.
Eu, animal humana que sou, de felina tenho o sobrenome e talvez os olhos, mas de felina que não sou, miar não sei.
não foi o que me foi passado quando cheguei ao mundo,
por que eu, humana que sou, deveria ensinar o felino que se o mesmo tivesse poder de escolha e lógica pudesse escolher não miar e sim vocalizar seus pedidos,por que diabos eu teria o poder de escolher por ela o que já nos está dito?

e talvez isso não seja sobre felinos.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

porra maria, tu chora demais!
não adianta ser santa com tanto pranto!

maria chorou

tal qual o peso da lágrima que não te escorre
que empedra na sua garganta
eu, corpo de mil toneladas
peso na vida de cada um de vocês 
como um fardo eterno.

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

noises

eu tenho um bom ouvinte
e talvez para quem não tenha bons ouvintes 
isso não pareça algo assim tão significante,
mas seus ouvidos são os mais sensíveis que eu conheço, 
e mesmo que de um lado não se ouve,
do outro tem a enorme paciência do coração aquecido.
meu peito se enche de poesia 
quando percebo a raridade que me rodeia. 
de olhos atentos, ouvidos aguçados 
e corpo que abriga toda justiça e esperança.
A sua raiva, comporta na sua fala e atitudes uma singularidade de arrancar lágrimas,
uma força tamanha que pode avassalar aqueles que não compreendem a brutalidade da vida na sua trajetória.
tonteia não só teu corpo enorme como a todos que o rodeiam,  revoluciona tudo aquilo que toca, impossível tamanha grandiosidade e potencialidade 
não tontear de vez em quando, a ele e quem por ele passe.

reviravolta

aos que desejam grandiosidades
não adianta tapar a boca com as mãos 
quando o barco se revira na fúria do mar.


não sonho mais com o mar encurralado, 
agora tenho enjoos.
furiosa quanto a onda que me quebra
gigante como a rocha que encontra o barco,
nadando de braçada, 
e mergulhando no fôlego da coragem.

‘Primeiro eu fui enterrada viva. Depois, o céu desabou.’

cozinhando palavras, criando receitas

  eu tenho mais medo de escrever do que cozinhar para o presidente.  ora, logo a escrita que faz parte de mim desde que aprendi a juntar as ...