sábado, 28 de fevereiro de 2026

ditos malditos pt VI

parece impossível encarar as crianças 
sem pensar nos olhos 
das minhas crianças que perdi, 
incluindo eu.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

escritos perdidos encontrados pt I

a segunda taça sempre quebra
não sei porque diabos
se a culpa é minha em insistir ou a culpa é de quem ou se existe um culpado 
ou se é apenas para nao usar taça
ou se é apenas para evitar o brinde
ou se as ilusões que se cria a cada saúde desejada a cada taça renovada, a cada olhar entrelaçado e em breve embriagado e a saude que vira saudade que derruba o vinho e tudo mais vira fumaça
e a taça que segue cheia mas sozinha.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

diário contra o alcoolismo pt i bebendo


o problema de quando eu sento para escrever 
é que quero por ao copo vazio
a bebida vermelha docemente amarga 
não por ser difícil escrever
mas por ser difícil lembrar 
assim tão sobriamente 
que é tudo tão cruelmente real.

desafogo pt III

(silêncio)

 em estaDo de desafogamento

(silêncio)

desafogo pt II

e desafogar…

que tem
um tanto de fogo

e pouco 
de mar.


mas basta amar
pra se queimar
no mar 
e se afogar
no fogo.

(…)

eu sigo e morro?
ou eu sigo ou morro?
ou sigo morrendo?
ou morro seguindo?

ou sigo, persigo e mato?




desafogo pt I

e depois de perder tanto
o que restou
é um oceano inteiro 
e infinito.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

lembrei como respira

a cada hora que passa,
sinto abandonar meu leito tempestuoso 
e sinto deleitando enfim em berço esplêndido.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

sobrando

passei algumas horas cozinhando o feijão preto que sobrou no demolho que fiz ontem daquela feijoada, 
sobrou, sobrou demolho,
e apesar de hoje ser o primeiro dia do adeus, minha cozinha ainda com suas curvas familiares me deixou confortável, confortavelmente sentindo o cheiro que saia do chiado da panela que funcionava sob pressão. 
chiiiiii chiiiava muito, a panela sob pressão, 
e para além do feijão que sobrava,
horas depois quem sobrava era eu. 
pouco tempo depois me senti arrancada, aquilo que eu ainda não tinha acreditado que tinha,
e capaz fui de entender o quanto sou capaz e também ingênua, mesmo com a minha idade.
nada é meu, nunca me pertencerá aquilo que não me deixar respirar, não adianta toda maquiagem viva como uma planta para que se filtre o que é mal. 
e quem dita o mal? 
por que me entristece tanto saber que o bem é cruel e desleal.

os dias estão estranhos e cheiro de feijão cozinhando nunca será mais o mesmo. 
não restou nem aqueles grãos que eu mesma catei e cozinhei.
nem eles.
passou por entre meus dedos e foram parar sabe-se lá onde.


goiânia, dia 02 do mês dois, segunda feira.


‘Primeiro eu fui enterrada viva. Depois, o céu desabou.’

cozinhando palavras, criando receitas

  eu tenho mais medo de escrever do que cozinhar para o presidente.  ora, logo a escrita que faz parte de mim desde que aprendi a juntar as ...