terça-feira, 17 de março de 2026

cozinhando palavras, criando receitas

 eu tenho mais medo de escrever do que cozinhar para o presidente. 
ora, logo a escrita que faz parte de mim desde que aprendi a juntar as letras…
Mas parte de mim já cozinhava arroz e sovava massa. 
e escrevia
secretamente.

pela necessidade da sinceridade da minha escrita, Calina Onça precisa nascer para que as palavras de leopardo não se enganem e nem se engasguem mais.

sexta-feira, 6 de março de 2026

dar nomes

demorei a me dar conta que o fascismo morava comigo,
dormia debaixo do mesmo teto,
pregava o mesmo que eu condenava,
mas como me foi dado que eu precisava amar e respeitar 
aqueles que haviam me colocado no mundo
e aqueles que eram do meu sangue,
sai às ruas pra gritar contra as amarras e injustiças desse sistema.
sai vendada porque não entendia o que acontecia dentro de casa, de tão perto cega fui em não ver que em todas as pistas estava ali um laboratório de fascistas em formação.
E eu na rua gritando polícia fascista,
com tantos fascistas dormindo comigo e aproveitando do meu corpo e da minha mente. 

Fragile

 era quase natural dentro da militância, ser chamada de anarco individualista, primeiro por não me alimentar de animais e segundo por culpa da Emma Goldman. Mas veja só, há quem ainda está descobrindo em pleno dois mil de vinte seis que ações individuais fazem sociedades menos doentias ou ao contrário. 

domingo, 1 de março de 2026

não sei se andorinha ou peixe

Eu me achava muito corajosa, mas eu tenho uma amiga. 
Na verdade, eu tenho o privilégio de poder ver com meus próprios olhos os passos corajosos e um tanto solitários dela. É que ela mergulha como se tivesse vindo do ventre do oceano, e ela mergulha em suas decisões como quem já tivesse passado por aqui e sabe exatamente onde tudo isso vai dar. 
E ela sempre deixa espaço para eu entrar. 
E eu entrei na sua vida porque eu me achava corajosa. 
É porque eu ainda não a conhecia. 
E ela que saiu de um lugar tão tão distante do mar que se quer quem a deu à luz ousaria mergulhar, navegar. 
Karina, ela inspira a vida por seus poros. 
E um dia estarei mergulhando ao seu lado tão profundamente que nem saberemos o nome de todos os seres abissais que se aproximarem de nós. 
Obrigada, pelo gole generoso de coragem e gentileza. 
Faz sentido seguir aonde seus pés caminham e aonde as braçadas de seus braços nadam.

‘Primeiro eu fui enterrada viva. Depois, o céu desabou.’

cozinhando palavras, criando receitas

  eu tenho mais medo de escrever do que cozinhar para o presidente.  ora, logo a escrita que faz parte de mim desde que aprendi a juntar as ...