domingo, 29 de maio de 2022

cheiro do ralo

sentir nas narinas um ordor de sentidos mal sentidos
sob efeitos de substâncias e sentimentos confusos
assoar o que não cabe mais
vomitar o que nem tem
cheiro que todo mundo conhece
cheiro nostálgico de quase perdição 
enjoos e lamurias.

“é preciso estar atento e forte”

 paranóia 
é eleito
o pior 
sentimento 
depois
da culpa.


sexta-feira, 27 de maio de 2022

)re) começar(

 poderia não ter fim essa rua
poderia no céu não ser o limite
poderia não sentir culpa pelos sorrisos
pelos abraços, pelos braços, 
pelos olhos
que me ardem tarde da noite.
poderia ser um suspiro
poderia ser um alívio 
poderia não estar morta
poderia 
e não morreu.
feliz ou infelizmente, não morreu.
viveu, permanece, respira.
o que está aqui é o que consegue tocar
sentir, chorar.
porém revive
vive.
renova.

domingo, 22 de maio de 2022

“tudo que é sólido desmancha no ar”

 cadê raio de sol
a queimar minha pele 
meus pelos, meu corpo. 
cadê o que aquece e ilumina
o que dá prazer, consolo, gozo…
cadê o movimento, o momento
a trégua, a completude.
para onde foram os ventos esperançosos
agora trocados por saudade e culpa.
as mãos que me afagam
me afundam na minha própria sanidade
é real que é preciso atravessar
fazer a travessia desse breu, 
desse estado solidificado, embrutecido, cruel e longo.
ir de encontro ao dia, um dia.

terça-feira, 17 de maio de 2022

oceano

não me visite se for interpretar da sua maneira de entender a vida, 
vida essa que é sua.
não continue lendo se for te machucar, te causar angústia ou qualquer sentimento penoso.
e não ache que qualquer uma dessas coisas me façam parar, não irei mais me calar.

meu mar encurralado virou oceano. 

domingo, 15 de maio de 2022

 me retiro
pra chorar
sob qualquer
céu, sol ou lua
na esperança 
de você 
poder 
me reconfortar
onde quer 
que você esteja.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

augusto dos anjos

 


ruído

 logo eu 
que nunca
tive problemas
de pegar
no sono
de dormir
tranquila…

hoje
não tem 
um dia 
ou uma noite
em que me
recosto no
travesseiro
e consigo
ter um sono
decente.

meus pensamentos 
sensações 
e sentimentos
me assombram
o silêncio 
me condena.

minha pressão 
se eleva
calor com frio
arrepio 
toda espinha dorsal

meu teto
completamente
desfeito
em cima de mim.

quando 
é que 
isso passa?

quinta-feira, 12 de maio de 2022

assolada

 ai se morresse de tristeza…

estava tão triste, que se deitou

e nunca mais acordou.

ai se assim fosse,

teria eu poupado esses meus últimos dias.

segunda-feira, 9 de maio de 2022

 é insuportável revisitar

todos os dias os mesmos lugares

e não encontrar nenhuma solução,

nenhum abrigo ou conforto, que seja.

só encontrar tormento.

terça-feira, 3 de maio de 2022

ditos sensatos na manhã de maio

 sinto meu corpo queimar

estou sempre a beira de um penhasco

é uma febre que não passa nunca

é o estômago que nada fica

tive mesmo que sob risco de dar errado 

desistir de muita coisa, abrir mão de uma vida inteira

tudo me doía… eu estava morrendo.

não existe para sempre

somos feitas de histórias tristes e inacabadas

mas histórias, que também nos dão a vida.

sentirei falta dos olhos verdes azulados

a me procurar pela casa

acho que estou ainda de certa forma me esvaindo

cada dia que passa deixo de existir um pouco

mas cada dia me resignificando de um jeito ou de outro

vejo tudo desmoronando aos meus pés

e ainda assim, tem paredes de pé e flores ao fundo

parte de mim queria desistir de tudo

a outra parte que agora grita, diz que ainda posso viver

te envolver na minha tristeza me assola 

mas sendo racional eu também estou te salvando de

mim e é também por te amar muito que tive de partir.

quem sabe assim aprendo de uma vez a me amar.

só não se esqueça que sempre estarei ao seu lado 

mesmo separadas.

‘Primeiro eu fui enterrada viva. Depois, o céu desabou.’

cozinhando palavras, criando receitas

  eu tenho mais medo de escrever do que cozinhar para o presidente.  ora, logo a escrita que faz parte de mim desde que aprendi a juntar as ...