domingo, 22 de maio de 2022

“tudo que é sólido desmancha no ar”

 cadê raio de sol
a queimar minha pele 
meus pelos, meu corpo. 
cadê o que aquece e ilumina
o que dá prazer, consolo, gozo…
cadê o movimento, o momento
a trégua, a completude.
para onde foram os ventos esperançosos
agora trocados por saudade e culpa.
as mãos que me afagam
me afundam na minha própria sanidade
é real que é preciso atravessar
fazer a travessia desse breu, 
desse estado solidificado, embrutecido, cruel e longo.
ir de encontro ao dia, um dia.

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