encaro esse vasto quintal, que um dia foi meu, que outrora fazia planos, molhava as plantas, andava de bicicleta com meu fone de ouvido, com o cachorro a correr atrás de mim, como quando por tantas tardes eu me sentava a sombra da grande árvore que aqui tem e lia livro, e chorava e cantava. Poderia descrever o ato de estender roupas, de escreve nas páginas do meu pequeno caderno sobre minha aflições e paixões. O dia está nublado e a grama travou uma batalha contra a secura que é esse clima, resiste até a chuva e cresce até não poder mais, quantas vezes por pura tristeza ou necessidade de reflexão eu tirei vinte metros de grama sob o sol de quase um deserto e terminei exausta. Apago o cigarro e me despeço como quem já devia ter ido.
terça-feira, 27 de setembro de 2022
“minha cabeça trovoa”
a respeito daquilo que tenho medo
incrível como que o que eu tinha
como obviedade, esse sentimento,
que dentro de mim
se expressava como ser luminoso,
se transforma em cicuta
não sei se sou o veneno
ou se sou a cura
por vezes me sentindo
a própria toxidade
por vezes me sentindo lixo.
todos os dias tentando por pra fora
o que me mata aqui dentro
por que é que não consigo?
não consigo falar, mesmo sabendo o alfabeto
me falta palavras, mesmo sabendo declamar
pablo neruda
aquilo que me falta,
que está tão profundamente amordaçado
que não, eu não consigo acessá-lo
sentimento esse que me apanha
que não sei nominar!
queria eu poder abrir o peito
com minhas próprias mãos e tirar esse peso
causador de arritmia, fumaça e álcool.
talvez não seja realmente você
que precise me entender
sou eu própria.
quinta-feira, 22 de setembro de 2022
citação XIV
Medo
Eu raspo as unhas pela parede
Eu estremeço você por dentro
Duro os teus movimentos
Sede
Eu fico longe da tua casa
Eu abandono você na rua
Duro os teus golpes lentos
Grito
Eu saio um pouco pela cidade
Eu me embaraço nesse silêncio
Duro os teus golpes lentos
Medo
Eu fico longe da tua casa
Eu abandono você na rua
Duro os teus movimentos
kafka - valsa da noite
terça-feira, 13 de setembro de 2022
desabafo não sei q número
sensação dilacerante de que estrago a vida de toda pessoa que passa por mim.
segunda-feira, 12 de setembro de 2022
cemitério
te visitei,
não tem lápide,
a terra ainda ta mexida,
vermelha,
mais um pôr do sol.
você ai em embaixo,
vê aqui em cima?
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