terça-feira, 27 de setembro de 2022

“minha cabeça trovoa”

a respeito daquilo que tenho medo
incrível como que o que eu tinha 
como obviedade, esse sentimento,
que dentro de mim
se expressava como ser luminoso,
se transforma em cicuta
não sei se sou o veneno
ou se sou a cura
por vezes me sentindo 
a própria toxidade 
por vezes me sentindo lixo.
todos os dias tentando por pra fora
o que me mata aqui dentro
por que é que não consigo?
não consigo falar, mesmo sabendo o alfabeto 
me falta palavras, mesmo sabendo declamar
pablo neruda
aquilo que me falta,
que está tão profundamente amordaçado 
que não, eu não consigo acessá-lo 
sentimento esse que me apanha
que não sei nominar!
queria eu poder abrir o peito
com minhas próprias mãos e tirar esse peso
causador de arritmia, fumaça e álcool.
talvez não seja realmente você 
que precise me entender 
sou eu própria.




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