quarta-feira, 19 de outubro de 2022

enquanto o galo canta

tão tarde que o que se ouve é apenas vagamente pedro the lion ao fundo e o sino de vento suspenso nessa sacada que venta violentamente contra meu corpo e meus cabelos enquanto o cigarro carbura estourando sob meus lábios.
era preciso hora dessa, nessa madrugada, desencaixotar tudo quanto me restou de toda a lida que travei. 
e é sem ar que eu fico, mesmo com todo esse vento, mesmo com todo esse fôlego que encontrei.
Fôlego esse que criei, onde me rearranjo entre tanto destroço espalhado por toda essa cidade.
cidade essa que, surpreendentemente, me acolheu como se… 
como se eu fosse realmente importante para alguém, mesmo deixando tudo de lado quase sempre em prol de algo que nem sempre fez sentido.
me parece que o entorpecimento da labuta ora me desperta de súbito e cá estou, acordada. 
acordada. ancorada em nada. só desperta.

terça-feira, 11 de outubro de 2022

o não eu

 onde de quase nada eu tinha ciência do significava, me saiu, como uma flecha que me atravessava, perfurou a pequena extensão que é meu corpo, de grande mulher.
que o sentido, não tem sentido, qual sentido o sentido tem? e como pensar isso ao som de vários instrumentos tocando harmonicamente, que te leva da euforia à angústia. qual sentido? aquilo que me atravessa, sou eu.

preciso lidar comigo, diariamente. exaustivo, caótico, misterioso, porém também há maravilhas que me atravessam. também sou eu.

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

cansada de saber que não é deus, foi lá mais uma vez e se lamuriou por não ter o mundo em suas mãos e que por essas mãos se tiraria o sofrer de outrem.
tudo que ela queria era tirar toda essa sua dor e nunca mais te ver vilipendiado. 

terça-feira, 4 de outubro de 2022

pesadelo

 no meu corpo habita um ser que de tanto confabular, ficou triste e confuso. 

não, não consigo acreditar que ainda não está tudo bem, não consigo acreditar que não consigo dormir só? 
e esse febre que alastra todo meu corpo, esse pesadelo que só regressa, esse calafrio, essa culpa. 
o que eu faço com tudo isso, eu já não sei, eu nunca soube.

‘Primeiro eu fui enterrada viva. Depois, o céu desabou.’

cozinhando palavras, criando receitas

  eu tenho mais medo de escrever do que cozinhar para o presidente.  ora, logo a escrita que faz parte de mim desde que aprendi a juntar as ...