quarta-feira, 19 de outubro de 2022

enquanto o galo canta

tão tarde que o que se ouve é apenas vagamente pedro the lion ao fundo e o sino de vento suspenso nessa sacada que venta violentamente contra meu corpo e meus cabelos enquanto o cigarro carbura estourando sob meus lábios.
era preciso hora dessa, nessa madrugada, desencaixotar tudo quanto me restou de toda a lida que travei. 
e é sem ar que eu fico, mesmo com todo esse vento, mesmo com todo esse fôlego que encontrei.
Fôlego esse que criei, onde me rearranjo entre tanto destroço espalhado por toda essa cidade.
cidade essa que, surpreendentemente, me acolheu como se… 
como se eu fosse realmente importante para alguém, mesmo deixando tudo de lado quase sempre em prol de algo que nem sempre fez sentido.
me parece que o entorpecimento da labuta ora me desperta de súbito e cá estou, acordada. 
acordada. ancorada em nada. só desperta.

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