(I)
há um mar sagrado em que me deleito mas que não entro
há um mar salgado em que chorei
(II)
e em lágrimas
transbordadas do peito que a ressaca dissolveu na praia,
para consolo não me assassinou na orla, mas me deitei.
(III)
avistei qualquer coisa remando ao fundo,
deleitada no esforço de não morrer na beira, nem entrar profundo, pro fundo.
(IV)
ao que com esforço do cavalo que puxa a carroça contra a agua salgada, me joguei em alto mar,
e ele se movimenta tranquilo passado o tsunami, o náufrago e a sensação de que não se sabe o que tem depois do horizonte e a partir dali, nunca fomos.
(V)
tudo em plenos pulmões e calmaria mansa das ondas que nauseam, anunciando que o novo vem chegando, e cada miligrama de água é novidade para os segundos que insistem em não parar de contar e rodar e passar e salgar cada gota que ainda engolirei, de choro e de chuva e de mar. Mergulhada na mansidão dos novos dias.
(VI)
o mar não me cabe em quatro paredes.
e nem em cada grão de areia que me prende os pés na praia.