quarta-feira, 1 de outubro de 2025

cenoura

Hoje diante da minha incapacidade com tudo,
fui incapaz até do que sou capaz quando estou incapacitada, como por exemplo colocar uma música, prestar atenção ao podcast, terminar a limpeza que iniciei, pensar em me alimentar ou se quer conseguir encher com água a minha garrafa, hoje incapaz até de trabalhar na minha flor, hoje perdida no início, vi o dia se iniciar e se findar, mesmo que eu tenha caminhado no escuro, correndo como se alguém me seguisse e quisesse finalizar essa vida, vida essa que não sei porque diabos seria assim tão preciosa ao ponto de lamentar que alguém a tire. e eu aqui nascida gente, mais perdida que o ciclista que entra na marginal por engano. Nascida gente mas mais próxima de um tubérculo arrancado ainda jovem do que com gente. 
 Ou simplesmente, tenho, preciso de toda essa perda perdida que me encontro? que estado perdida não significa que esteja perdida mas que a perda é de outra coisa, como da roupa que está pequena e que não cabe mais, não é? e talvez toda essa incapacidade seja porque de tão capaz preciso esperar com paciência que as resoluções se assentem e que resultará naquilo que me movimenta, que se movimenta sem se lamentar. em estado de escolha e realização, paciência na perda.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

‘Primeiro eu fui enterrada viva. Depois, o céu desabou.’

depois de amanhã é abril

e se eu não conseguir dar conta de tudo? do meu gato adoentado, do cardápio a nascer, da abóbora alaranjada no mundo das ideias, da material...