sexta-feira, 25 de novembro de 2022

parta

 o que mais se leva com partidas? só se parte a partir do desejo de um dos lados partir, velado ou não velado, partir vem da necessidade de se construir algo que ainda não existe. Partir é necessário e o adeus demorado sempre mutila muito mais, partir é melhor que morrer, partir é ate breve, até mais. A partir de hoje a partida se tornou menos pesada no meu peso de viver.

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Queda lenta II

 incrível como sempre chove dentro de casa

Queda lenta I

   por que 
é que 
toda vez 
eu 
mergulho de ponta? 

sem antes
conferir 
se
 existe profundidade?

sem antes
volta ou outra
perceber
se ainda dou pé
   ou se me afogo?

domingo, 13 de novembro de 2022

A rapidez da lentidão da queda

o gengibre estava feito, na água quente em minha caneca.
O cigarro aceso entre os dedos,
na pausa da limpeza da casa…
Sofri um acidente 
sozinha, ninguém se feriu,  ninguém além de mim.
Diria que por sorte não apaguei
pois me queimaria e sabe-se lá quando acordaria e como chamaria socorro?
por sorte o acidente não me deixou cegar por completa
No acidente eu estava sentada, meio a dormir, meio acordada.
gengibre, sampoerna, tim maia, cinzeiro, vista da cidade, sol tímido, vento.
Meus olhos abertos e sensíveis à luz.
Já disse?
Quase que me cega.
Sensível, uma pessoa, sensível.
Para além dos olhos, para além da pele, para além das mãos, uma pessoa sensivelmente forte.
Durante o acidente, eu quis de forma desesperada e calma, pegar a caneta, o caderno.
e contar a fatalidade que me acometia,
a de ter enfim, caído na real.

aprendendo a ser só

na mesa
de frente o lustre
música tocando 
cigarro no cinzeiro
meia luz
choro
soluço
escondo de mim
minha própria cara
não quero ter
não te quero ter
enquanto eu não me tiver
enquanto doer tanto
enquanto pensar em ti
for confuso e doloroso
sozinha em casa
sozinha na rua
companhia do céu
do breu
do sol 
dos gatos
companhia da minha caneta 
que desliza
nervosa sob qualquer papel
só pra ver se sangro menos
só pra ver se me encontro
em todos esses desencontros.

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

curva

eu saí da minha poltrona em meio a uma curva, a estrada é estreita, esburacada, escura e movimentada, quis ver de perto, do alto do motorista nesse breu da rodovia a claridade do farol, aparecendo placa por placa, curvas acentuadas, velocidade e asfalto, iluminando rapidamente a mata, matando minha curiosidade e querbrando meu medo, meu medo de estrada, quis ver de perto o ônibus ultrapassar os enormes caminhões, quis encarar esse monstruoso medo de frente, cara a cara, abraçando minha solidão, e enfim, sem medo da morte e pronta pra morrer.

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

 é falar sobre o silêncio 
ou sobre eu não saber de nada
é silêncio 
é em silêncio que me ecoarei
neste exato momento 
até que queiras furá-lo.

nota sobre os fascistas

 eles lá me achando bonita
e eu aqui querendo vomitar neles.

o céu do interior conservador

tão menina
foi lá 
viveu o que nem sabia
teve o que
nem esperava,
vive onde
nem lhe cabe,
isso sim..,
isso sim!
é revolucionário.

o que é revolucionário
pra você?
debater revolução 
no instagram?

já viveu 
no interior
conservador
que ninguém 
fala a sua língua?

a mina
não se cala.

mas não tem vozzzz.

z.

algumas minas,
é que revolucionam
a realidade 
de bolha
em que vivem.

impressionante,
como me sinto 
nada,
nada de mais,
perto 
dela.


logo eu,
da cidade grande,
cheia,
cheia de vivência 

fora da bolha
cheia de livros
cheia de sonetos,
poesias,
livretos,
quem sou?

num lugar
que não 
te vê?

quem é tu,
garota,
que a contra pêlo,
que a contra corrente,
talvez…

…? 
talvez?

nem entenda,
uma se quer
palavra destoante
que eu diga?

é essa mina,

são essas minas,
que explodem
qualquer
diferença 
que faz
realmente 
sentido.

sentindo que
aqui
que pela
primeira vez,
eu não saiba 
de nada.

‘Primeiro eu fui enterrada viva. Depois, o céu desabou.’

cozinhando palavras, criando receitas

  eu tenho mais medo de escrever do que cozinhar para o presidente.  ora, logo a escrita que faz parte de mim desde que aprendi a juntar as ...