quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

domingo, 17 de dezembro de 2023

meteoro cai sem que se peça

me disse agora o silêncio, 
quase que como um sussurro
 
balbuciou algo como essa frase:
(leia-se sussurrando)

- eu nunca fui o problema.

fantasia in D minor . amadeus

 olhei ao longe e as luzes se movimentavam
tremia, vibravam, se cruzavam, trocavam, piscavam, 
se 
estremeciam.
olha luzes, será vocês que descobriram a paz do movimento? 
e aparentam agora essa harmonia caótica das insignificantes e importantes pequenas certezas?
e tudo se faz sentido nesse sentido que não há?! 

e foi assim que apaguei as luzes e consegui dormir.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

infinito finito

 ‘aquilo que se cumpre sem promessa’

sem juras
sem pra sempre
sem promessas

nada disso.

ainda não começou o barulho da construção

goiânia, 11 de dezembro 6:30 am

ok, 
esse cheiro, 
essa chuva, 
essas cores, 
os toques da água no telhado, 
a brisa que entra 
e os pássaros anunciando o fim da chuva para o começo do dia,
 
acalentando meu peito que ontem dormiu inconsolável.

sábado, 2 de dezembro de 2023

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

sábado, 28 de outubro de 2023

eu sou covarde.

o amor me dá calafrios
o amor pronunciado, 
proferido, 
profetizado, 
idealizado, 
roubado, 
assassinado,
o amor como sentir, 
daquele que te pega de assalto,
o amor assaltado.
me causa arrepios 
faz com que minha arritmia estoure os pneus da minha bicicleta 
enquanto desço a avenida mais movimentada da cidade.
pular ou não sempre volta para lembrar que eu tenho medo, esse texto não é sobre coragem.

terça-feira, 17 de outubro de 2023

filme

a vida em qualquer instância 
seja uma quadra, um quadro, um quarto
um bairro, um lixo, uma bagunça,
quando enquadrada, filmada e decorrida
vira tudo poesia.
e eu amo ver poesias nas banalidades.

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

não tenho medo de altura

do precipício que é minha casa
do telhado a qual pertence minha morada
a este ainda não fiz as pazes
desse precipício que se principiou meu fim
sigo a te encarar.
tu não é se não meu abismo,
tu não é se não mais enlouquecido que eu
para me encarar de volta
sigo eu te admirando,
ainda fitando suas curvas e formas.
te digo que em breve,
muito em breve
estaremos assegurados
que você não é o meu fim.
e que eu, eu sou o meu início e recomeço.

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

desabafo desde que você partiu parte mil

quase um ano e meio
e eu ainda espero por uma carta
uma linha, uma frase, um escrito
um livro, uma dedicatória, 
um xingamento, um áudio,
qualquer coisa deixada
proposital ou acidental,

qualquer coisa

qualquer coisa
que faça com que eu te sinta de novo,
nem que um pouco, por um pouco.
sonho? nem nos sonhos tu me aparece?
todos me visitam, menos você.

o que me faz abrir tantas portas
pra ter certeza absoluta 
que de fato, você não está mais aqui.
o que na verdade eu preciso fechar
pra não ter mais raiva?

às vezes eu te entendo
às vezes eu te odeio
às vezes eu te abstraio
às vezes eu te condeno
às vezes eu te perdôo

eu te odeio

quando te vi,
deitado,
punho fechado,
eu queria gritar
no seu ouvido:
levanta dai
seu otario.

quando te vi
a última vez
eu queria 
gritar na sua cara
porque eu nunca 
soube te dizer
o que eu sentia.

um dia você me viu
eu te vi encenando
você olhou pra mim
e gritou
tão alto 
que eu quase cai.
todos olharam pra mim.

eu queria
ter gritado
tão alto 
tão alto
pra tu não ir. 

às vezes dói 
às vezes está tudo bem
às vezes quero falar de ti
às vezes não toquem nesse nome.

nunca mais, meu nobre amigo?
ok, eu aceito.
às vezes  
esfrego minhas mãos 
com folhas 
de cheiros que gosto
penso em ti
e te trago um pouco 
nem que seja um pouco
pra perto.



tu me partistes
em mil pedaços 
e até hoje 
cá estou a me recolher.

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

do alto a prece

que fazendo as pazes com deus
e todos os orixás me traga quietude,
que de coração que sangra 
meu corpo está e segue fatigado,
se no álcool não encontrei companhia, 
se do telhado não me pude jogar,
que as cartas me guiem 
e minha futura guia me proteja,
proteja daquilo que mais me é arriscado, de mim mesma.

terça-feira, 3 de outubro de 2023

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

fio da meada

 há quantas andam os olhos que me ardiam e me desejavam? 

(…)

ao que o tempo me ensina, ao que a ventania me grita sem saber que meus ouvidos estão tampados…

 se se passa a ouvir ficaria eu mais forte? me importar com minha lida da mesma forma como me tratam no escanteio, cansativo correr no meio fio. 

(…)

reconquistar as rédeas que são minhas e pular pra larga estrada para poder descansar o coração e apreciar a vista. parece sensato. 

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

babel

linguagem do amor 
fechar os olhos e pensar a respeito 
só conseguir enxergar torre

torre de babel

infinita construção em que ninguém consegue se comunicar, diversas línguas.
castigo divino
vem deus e desmorona tudo.
ninguém se entende, ninguém entende.

certo deus, ainda teremos uma conversa
ainda nos entenderemos, 
mas por hora, 
por que destruir a torre?

dois polos.

não sei com qual grafia escolher para escrever sobre o que dizem os tristes poetas transtornados.
não sei qual palavra melhor escolher para definir toda falta de fôlego e todo soluço pós tempestade.
dizem que não se morre de tristeza.
entendi ontem que é mentira, 
se morre,
se adoece,
sem cura.
se cura.
deveria saber há tanto. 
mas sempre certos poetas estão apenas preocupados em socorrer os transtornados sem se enxergar o próprio tormento. 
cego tal qual que não se vê um palmo à frente, que jura escrever em metáforas para que não entendam assim tão rápido seus vômitos lamuriados e sinceros.


ainda há tempo.

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

não sou par .

. . .

ao que tudo indica
tenho grande apreço 
em criar histórias de amor
as quais vivo todas elas
sozinha.

.
.
.

umpar.
impar.

dia

 sentir a vida 

deslizando

sob meu pés

em pleno asfalto

em dia de feriado

sem pensar 

nas despedidas

sentido que sim,

estou viva

e não preciso 

de tanto.

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

cortes

 acordei um caco.

e não apenas pela ventania
que enquanto eu dormia
ceifou minhas plantas cheias de vida.

a vida tem se quebrado.
e eu odeio catar caos.
casos cacos coisas

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

sol, chuva e culpa

digo sinceramente,
que um bocado de aflição na persistência 
mas um bocado de tristeza no ato de lavar as mãos.
mas um bocado de boniteza existe em largar de mão.
e um bocado de querença em não deixar escapar.

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

pra quê rimar

sou corpo que comporta bem
dor e amor.


e o corpo sabe das delícias que o amor traz, transborda.

e o corpo sabe da aflição que a dor traz com a corda. 

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

titereiros

aos que tentam ainda dominar a cruzeta de meu corpo, a liberdade pode me custar muita energia, melancolia e solidão, nesse percurso difícil de se atravessar só me alastra o ímpeto da vontade.
aos que escrevo, apenas entendam, meus cordéis já foram cortados pela minha pessoa, sim, eu mesma tive coragem para isso.

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

“Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias”

Andresen

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

qual era o título que eu usava para você?

por que eu não fiz o que eu queria?
nunca mais pude ver teus olhos
o que fere é o que não foi dito como deveria. 
sinto sua falta 
obrigada por me abraçar
a partir do grande satélite
e das distantes estrelas 
eu sei que você estava lá.

terça-feira, 8 de agosto de 2023

preta velha

quando no terreiro,
eu senti que não precisava conseguir falar,
                           paralisada,
eles já sabiam,
eles me abraçaram. 
ainda assim, falei.

                 tem dias que consigo respirar,
tem dias que não.
                 minha cabeça que nem um balão
o que dói mesmo é o coração.

- fia, cê vai voltar a ser formosa. 

colo de vó afetuosa. 
acolheu-me, abraçou-me. 
obrigada.

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

sexta-feira, 21 de julho de 2023

choques elétricos pt 3

toda e qualquer fuga que calculei e planejei,
não será possível pois o monstro precisa ser encarado hoje ou me devoraras novamente em breve.

quinta-feira, 20 de julho de 2023

segunda-feira, 10 de julho de 2023

não pareço contigo

  eu me liberto
de tentar devolver
  na mesma moeda
todos os desamores
  que você faz
com a minha pessoa.

quinta-feira, 6 de julho de 2023

quarta-feira, 5 de julho de 2023

e no meu descompasso o riso dela.

que perigoso esse apreço pela solidão, 

que poeira leve, 
- olha, a casa é sua. 

não sei viver em paz?

 queria a tranquilidade reversa dessa aflição que sinto toda vez que penso naqueles que gosto, que tenho apreço, e que estão na apreensão, aflição, por algo que eu fiz ou deixei de fazer.
a cidade está cheia de uivos e poucos ouvidos

terça-feira, 4 de julho de 2023

winston

ao que diz respeito à lembranças, cultivo da memória e despedidas.

limpar o cinzeiro com tuas bitucas fortemente amassada é a parte mais difícil.

porém na certeza que no regresso o cinzeiro estará vazio, cheio de vida, vazio de bitucas, meio limpo, meio sujo como deve de ser.

sexta-feira, 23 de junho de 2023

convite

 me convide

apenas para expandirmos nossas liberdades
não faz sentido
o sentir
enclausuradas. 


segunda-feira, 19 de junho de 2023

cada ser tem sonhos à sua maneira

às vezes não é sobre estar onde não me convém 

às vezes o pecado é estar sempre convencida de que abrir meus espaços significa demonstrar o sentir

às vezes cada um sente diferente 

e ninguém fala a mesma língua, nem possui as mesmas linguagens.

não significa que não sentes, não significa que não existe e não significa nada e significa tudo. 

av. anhanguera, setor coimbra ao lado do açougue cruz de malta

Minha mãe tinha muitas regras, criava muitas paranóias e cuidados excessivos, dizia que achava que morreríamos a qualquer momento, temia a morte como quem vive de doença. Mas o que temia era a morte dos outros, da parte dela e por ela, acho que até desejava que partisse o quanto antes. Aparentemente eu não tinha nenhum motivo para estar escrevendo sobre minha mãe, além do motivo de nunca ter escrito a ela, não dessa forma direta indiretamente. Mas é que a garrafa de café que comprei é igual a que tínhamos quando eu era criança, da mesma cor, não tão boa quanto a dela. 
Era tão bonita, a minha mãe, e era bonito vê-la despejar café em sua xícara o dia todo. Acordava sentindo o cheiro de café sendo passado, ia pra escola e chegava com cheirinho de almoço. 
Minha casa era casa geminada no fundo dos comércios, tinha muita barata mas tinha até quintal concretado e uma área no fundo com o tanque, as plantinhas e pimenteiras que meu pai plantava, tinha cheiro de tabaco que meu pai borrifava nelas. Eu costumava ver minha mãe na boca do fogão parando eventualmente para rir de alguma piada do meu pai, ela se apoiava no vão da porta que dava pra área do fundo, com os cabelos presos se lamentando que os mesmo ficariam marcados, aqueles cabelos pretos e escorridos e seus olhos verdes e miúdos, ora parecia oriental ora parecia indígena mas era só minha mãe de traços diferentes, ninguém se parecia com ela, nem mesmo eu, nem meus irmãos, talvez sua irmã. Mas voltando ao vão da porta em que ela se apoiava com os braços para frente, cabeça inclinada descansando sob ao mãos erguidas, essa era, essa é a visão e lembrança que tenho de mãe, rindo ou lamentando, em seu movimento repetitivo no vão que dava para o fundo enquanto a comida ficava pronta. 
Talvez eu evitasse revisitar esse passado, essa casa que muito ficou marcada em pele e na cabeça da criança que fui. Talvez não fosse culpa dela, não acho que tenha sido, exatamente. Eu tão miúda já queria poupar a mãe tão bonita e sofrida que tinha pois quando a via de olhinhos miúdos vermelhos e nariz inchado a chorar pelos cantos escondida, deixava meu coração pequeno, menor do que já era, apesar de gigante. Era muita coisa, eu via muita coisa mas prefiro neste momento me lembrar dela na porta sorrindo ao descansar seus punhos adoentados. Prefiro não lembrar, por hora, dos estresses, das violências, dos meus pesadelos, dos tombos, dos desafetos. Por hora, queria essa lembrança de como era bonito vê-la existir, como era bonita minha mãe e como estávamos inseridas em turbilhões de engrenagens que nos trituravam quase sempre e devo dizer agora depois de tanto tempo que já passou que de coração, eu sinto muito, sinto muito por mim e por ela. Diferentemente, tal como somos na diferença, eu não regresso mais aquela casa. passou.

quarta-feira, 14 de junho de 2023

do lado de cá não tem acesso

 eu não peço a ninguém que me salve ou que arme suas barracas sob minha cabeça a proteger do sereno que me alastra ou do cansaço nos meus ombros. não peço teto de lona para ver de companhia o céu de estrelas, com nossas fogueiras a queimar nossas risadas, nem peço esse fogo pra aquecer de meus banhos gelados, não suplico nenhum perdão para qualquer entidade que esteja aparecendo em meus sonhos para me despertar. eu às vezes só não consigo levantar. não estou pedindo nada, eu só não sei sair do lado de cá, às vezes. por vezes surda de um lado e cega do outro, ninguém pode me dar visão, nem me tirar de onde me atirei, se eu sair, não foi porque alguém aprendeu a me decifrar mas foi porque aprendi a nadar. 

segunda-feira, 12 de junho de 2023

sexta-feira, 2 de junho de 2023

despedindo do capeta

 o importante de acordar no inferno 
é que quando saio dele a sensação 
é de vontade 
mil e uma vontades
ao mesmo tempo.
vai-te embora nuvem.

quinta-feira, 1 de junho de 2023

relaxa, eu exagero.

produtividade
controle financeiro 
superar
engolir as sociedades 
saber me impor
estar atenta a tudo
não me esquecer de nada
não fazer nada imoral

sei lá, parece que não sou capaz de ser nada disso.
às vezes eu só queria chutar o tamborete que me segura.

quarta-feira, 31 de maio de 2023

passo dois passos
volta e meia 
envolta de seu cangote
meio passo
passo e meio
meio do dia
esperando os passos
encontrarem teus olhos.

terça-feira, 30 de maio de 2023

sábado, 27 de maio de 2023

na cabeça ansiosa

 tic toc
e eu sempre
penso o pior
 tic toc
e existem uma infinidade 
de possibilidades tranquilas
 tic toc
e apenas a intranquilidade 
é a que basta minha inquietude 
 tic tac
será que chegou bem?

quarta-feira, 17 de maio de 2023

sigo

na verdade 

quando paro pra reelaborar

eu sinto que sou sempre

a segunda opção 

de toda pessoa

que se apaixona 

e se aproxima de mim.


por isso não quero

pensar nisso

deixo as coisas 

fluirem

ou morrerem.


no final sou sempre

eu 

e minhas quatro paredes.

quinta-feira, 11 de maio de 2023

tudo foi feito pelo sol


você tocando minha menina e samantha dançando. 
baby, 
eu sei que é assim

vocês ai de cima 
dançam olhando aqui pra baixo? 

terça-feira, 2 de maio de 2023

estado de habitação

 goiânia, dia sei lá qual de 2023

eu diria que muito poético
o estado de surto 
a qual foi atravessado 
por essa pessoa que habita em mim.
estado esse embrutecido e cansado 
ainda sem saber se se findou
ou se só se encontra pausado.

quarta-feira, 19 de abril de 2023

morte

queria não esse fio que me engasga
queria não esse sentir que salta minha nuca
queria não essas lágrimas que mandam em mim
queria não me importar tanto assim
queria não que não fosse comigo
queria não ser forte todo tempo
queria não ter que lidar 
ter que lidar
ter que lidar

com aquilo que não estou habituada
que com as mãos sovo, hidrato, fatio e salteio
que finalizo, que entrego
queria que só disso viveria meu ser

queria não não me despedir
queria não ter que suportar
queria não ter paciência 
queria mesmo

queria mesmo
não ligar pra tudo isso.

quinta-feira, 13 de abril de 2023

venenosa joana

algumas bocas tem me alertado
que na verdade a cobra dá o bote
é de forma ligeira e sutil
e eu achando que era apenas joaninha
não que eu não goste de cobras,
mas na mais pura verdade da minha existência,
eu não gosto mesmo é de você.

oceano

 meu sonho é saber de minha insignificância perante uma jubarte

terça-feira, 11 de abril de 2023

invisível recordação do que é memorável

lembrei aqui
do que foi
esquecido

o que foi
esquecido
deixou de ser
esquecido.

e agora
está lembrado.

não existe mais
o que 
não lembrava
porque foi recordado.

se há lembrança 
há existência, 
o que não existe
não é lembrado.

é irrreal.
indizível.

domingo, 9 de abril de 2023

vou vencer

quando constatada
que chato e denso 
de ler
eu me definir

diria em poucas palavras 
que continuo
assistindo ao teu regresso 

pois essa lida 
de nada faz sentido 
a não ser vivida

e contemplada
toda vez que você volta.

sábado, 8 de abril de 2023

quarta-feira, 5 de abril de 2023

apesar de querer

sonhei com teus olhos a noite inteira 
e eles me queriam 
tal qual em uma única deixa
eles passaram por mim
e me fitaram. 

sexta-feira, 31 de março de 2023

sem ter um porto quase morto sem um cais

me apetecia quando o drama era apenas um gênero a qual eu valorizava e apreciava em minha vida,
hoje no cais aguardando pacientemente desesperada que o que me persegue e agora guardo com depreciamento, se torne logo um grande e enorme desdém em minha vida.

domingo, 26 de março de 2023

máquina de escrever

mas sabe o que é mais triste?

é não ter nenhuma caneta a mãos 
para te mal dizer 
nas minhas folhas sedentas por desabafos sinceros e raivosos, 
sorte a sua.

quarta-feira, 22 de março de 2023

tormenta

foi terrível a aflição que eu senti ao descer desesperadamente aquela escada amarela de corrimão vermelho, te buscando sem saber onde, só sabendo o porquê. 
Porque que lástima seria te deixar escorrer entre as mãos e te ver partir pra qualquer lugar que meus olhos não veriam mais seus olhos, por conta de sentimentos fantasmagóricos que andam insistindo em me aterrorizar.
Mas eu sabia que era sonho porque no fim, eu descansei.

quinta-feira, 16 de março de 2023

clama

de corpo cansado
de fatiga e vontade
devoro a cidade
nesse meus olhos enormes
cheios de lamento e desejo
você escolheria conter
contenta ou calmaria?
das buzinas e gritos
das luzes das casas
dos faróis dos carros
eu escolheria contenta
de tirar tua roupa
debaixo desse céu
que minha casa quase 
alcança.

sexta-feira, 3 de março de 2023

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

a pressa do carnaval


eu logo atrás de ti enquanto reparo no teu quimono esvoaçante e tua fantasia de carnaval em cima da bicicleta. 
enquanto penso no vento que lamentavelmente te deixava com frio 

e eu pensava no quanto é bonita essa tal tua liberdade. 
tu combinava com o vento, com a ladeira, com a bicicleta, com os olhares, com a fantasia, com essa rua que começa na tua e termina na minha casa.
ou vice versa.

sábado, 11 de fevereiro de 2023

incômodo me incomodando

me incomodo quando estou falante
me incomodo quando estou silenciosa
me incomodo de achar que incomodo
me incomodo com meu incômodo 
me incomoda acharem que estão me incomodando
me incomodo com minha existência 
me incomodo mas não falo nada
me incomoda estar falando de incômodo agora.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

me afogando lentamente em minhas próprias decisões.
tem coisas que é difícil até de pôr no papel que dirá dizer em voz alta olhando nos teus olhos.

sábado, 21 de janeiro de 2023

Lamúria

 É certo que a vida não espera que os lamuriados, vilipendiado e oprimidos se ergam de seus abismos pessoais,
é certo que a chuva tempestuosa não pára para que sequem seus rostos chorosos,
é certo que a companhia não surge para suprir suas solidões,
é certo que o efeito anestésico de seus entorpecentes não duram mais que uma noite,
é certo que a cura do desespero não está em suas tarjas pretas,
é mais que certo que é preciso ter peito pra encarar mais um dia a cada dia, de cada vez.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

hope

em minha sobriedade
encarando o teto escuro
deitada na cama ouvindo john 
não há escapatória 
não sei sobre esperança 
mas escapatória 
não há.
os mesmos devaneios
sob as mesmas quatro paredes
não há como escapar delas.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

bem querer

dormi com o peito sangrando
desejando meu findar
sonhei que precisava me salvar
acordei tinha você aqui
respirei aliviada, viva.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

queria não querer

eu queria desistir
desistir dessa cidade
desistir dessas minhas tragedias 
eu queria ir embora
eu queria covardemente me extinguir
queria ter nascido pássaro 
queria nem ter nascido.

sinto muito

to cansada de tudo que sinto
não cabe em gavetas.
não há onde armazenar
não sei mais o que fazer,
com toda essa espera.
queria te devolver tudo isso
que está dentro de mim. 
e faz você o que bem entender 
com toda essa ladainha,
que eu chamo de sentimento.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

sábado, 14 de janeiro de 2023

engolir choro, ouvir sapo

engolindo sapo à seco da minha própria pessoa toda dia que abro os olhos e penso primeiro em outro alguém que não seja eu. 

só não sei pousar

me é gratificante o fato
de que independente do sonho
ou pesadelo que eu tiver
se eu quiser voar, eu voou. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

my smile is a rifle

A engrenagem do tempo 
tem destroçado meu coração 
esmagado minha poesia
trucidado minhas forças 
espalhado minha lamuria
dispersado meus afetos
carregado minha ternura
descompensado minhas tristezas
incendiado meu choro
desfalecido meus braços e abraços 
matado minhas esperanças 
machucado meus pés
enforcado meu fôlego 
raleado meu âmago
silenciado meus encantos
atropelado meus anseios 
decepcionado minhas expectativas 
cegado minhas perspectivas
frustrado minhas emoções 
amordaçado minhas paixões 
assassinado minhas conjunturas
potencializado o falecimento
das minhas próprias estruturas.

passando

agora é muito breve
agora acabou de deixar de ser agora
o instante de agora acabou de virar passado
cada piscada não é presente
agora, por agora deixou de ser
sussurro do futuro acabou de passar
perpassando a linha tênue 
do tempo inserido neste momento
o momento, passou.
do instante próximo, 
não há nada ao que se esperar.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

corro devagar
pois na minha estrada
é necessário 
apreciar sempre
a paisagem 
principalmente 
se chover.

sábado, 7 de janeiro de 2023

voar sem confusão

me basta sentir sua respiração 

me basta sua vida, teu coração batendo

me basta que respire,

me basta teus olhos sinceros.

não me basta sua tristeza, 

não me basta teus olhos inchados

não me basta tuas mãos perdidas.

me bastaria teu sorriso sincero, todo dia

me bastaria ter te bem, mesmo não tendo 

me basta não te ver, talvez de longe

desde que feliz, me bastaria.

se me basta, se me importo,

deixo aquilo que amo voar,

volta e outra pousa aqui em meu abraço,

para descansar suas asas cansadas. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

casa vazia

às vezes esse silêncio me fere muito a solidão
ele fala comigo ricocheteando meus espaços vazios.
só de solidão tem alimentado meus dias, minhas horas.
às vezes é muito silencioso meu terreno.
tenho saudades e não tem aonde ir, nada sacia.

‘Primeiro eu fui enterrada viva. Depois, o céu desabou.’

cozinhando palavras, criando receitas

  eu tenho mais medo de escrever do que cozinhar para o presidente.  ora, logo a escrita que faz parte de mim desde que aprendi a juntar as ...