Existia, ou ainda existe, aquela sensação de que ainda estou me aventurando mas se eu quiser voltar, eu posso.
(nunca(
nunca pude
nunca fui vista
reparada
notada
nunca sentiram minha falta
nunca houve lar)
mas houve lar.
(escondida)
e eu já quis voltar.
e não havia aonde ir, não tinha nada mais lá.
não havia mais quarto, não havia mais casa ou já não era mais minha e talvez em algum momento ela tenha sido sim.
Tantos anos despatriotada de meu lar que ainda assim, quando eu estou aqui na minha casa, a que eu construí sozinha, depois de tantas cordas mal amarradas no pescoço a me pendurar por ai…
_ - tenho a sensação de ouvir o meu pai chegar, de que alguém vai abrir a porta, alguém vai chamar meu nome, minha mãe vai gritar o almoço, vou até sentir o cheiro que ela tinha, o abraço apertado do meu pai enorme, a minha vó me falando pra escolher uma toalha pra me dar de presente, meu avô espantando os mosquitos com uma camisa enquanto vê o jornal, meu tio pedindo passagem pra limpar o chão e o meu irmão, bem, o meu irmão eu nunca entendi.
e pronto! Sensação de que Vai ficar tudo bem!
E aí esse vazio me assola e me esmaga e que me faz me perguntar, cadê todo mundo?
e como pode um lar se esfarelar sem deixar nenhum rastros assim?
e o vazio não tem preenchimento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário