quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

oração

 eu estou sempre me segurando para não escrever tudo como uma oração 
(porque fiz muitas)
e escrever é como uma.

corro muito

e toda vez que me sentir culpada por pausar a correria eu me dou desculpas sobre o quanto é importante pausar a correria.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

grandiosos

assisto discretamente seus feitos para não criar alarde de o quanto vejo grandeza no outro. 

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

sábado, 13 de dezembro de 2025

a capa não conta o livro

quando eu aceitei que o meu cacto não gostava de sol, compreendi que se pode ser o que se quiser e como quiser, mesmo parecendo cacto mesmo sendo gente. 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

me chamo carolina

eu tento não pintar as figuras que foram cruéis comigo como figuras cruéis, eu sempre penso na minha narrativa, talvez ela esteja deturpada, talvez não seja isso que eu estou temendo, talvez essa pessoa nem queria ter sido assim tão estúpida, talvez ele não queria ter me humilhado, talvez nem esteja me passando pra traz, talvez ela nem queira ter me assediado, me roubado, me explorado ou qualquer coisa que se pode fazer contra alguém… qual é o contexto de quem me desama? dizendo que ama. preciso entender essa pessoa.

eu estou exausta.

minha narrativa precisa de um choque de cabo de aço, um curto, um raio, uma granada?uma bazuca? o que eu preciso para que qualquer um que se aproximasse e tentasse me calar, me aprisionar, me sufocar, me assediar, me explorar, fossem pelos ares, explodissem sem nem se quer conseguir terminar de dizer meu nome?

do que eu preciso?

desabafo desde que você partiu|parte mil e um

e desde a sua partida abrupta e repentina, 
sua auto partida, 
desde o dia que decidiu que chega,
desde então, 
quando me deparo com quem fez o mesmo,
que se mata o corpo, que aniquila toda vontade, 
que assassina o desejo e 
que finda o sopro da vida… 
sempre que me noticiam sobre um jovem que parte,
o monstro de muitas caldas que habita em mim 
ruge e arranha minhas entranhas e eu sinto sangrar um pouco.
é como se ele se contorcesse de dor, de lamento.
sinto que meus olhos se esbugalham e eu perco a noção de sociabilidade,
não sei se o nome disse é trauma. 
mas de algo tenho aprendido é que eu sei que não é sobre mim, e ainda assim, lamento todos os dias.
sinto muito, sinto tanto. 

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

nos dentes

‘Quem tem consciência para ter coragemQuem tem a força de saber que existeE no centro da própria engrenagemInventa contra a mola que resiste
Quem não vacila mesmo derrotadoQuem já perdido nunca desesperaE envolto em tempestade, decepadoEntre os dentes segura a primavera’

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

eu sou um furacão, me perdoe

um dia de cada vez, meu amor
pra que se supere o pranto desesperado
que ainda molha o meu colo e meu rosto,
que ainda queima em seu peito
que te carrega na angustia 
e na incerteza de que o amor fica
e não vai embora. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

infração abusiva

até que se entenda o que não diz respeito a sentir vergonha 
e sim tratar de dizer sobre traumas, 
muito se esconde.


não precisava/precisa sentir vergonha daquilo que fizeram com você.

domingo, 2 de novembro de 2025

ditos malditos pt 2

o estômago não me deixa mentir 
e fingir naturalidade 
já não segura mais vômitos 

ditos malditos pt 1

noite passada a kinha falou
“a vida é maravilhosa!”

não resta duvidas
mas o que fazer com o mel
apodrecido na boca?

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

linguagem de desafeto

dei-te o direito de falar comigo,
porque eu sou incapaz de devolver o mesmo 
desamor que me foi dado em agosto no dia 29.

o mesmo desamor que me foi dado
e que me foi dado

todo esse tempo.

mas não digo mais palavra,
da mesma forma 
que elas não foram ditas

todo esse tempo

e de pensar em agosto,
esqueci que hoje é outubro
e do dia 28 ao 31
a única forma de sobreviver 
era sumindo, extinguindo. 

desse silêncio todo
que até mesma cobrada fui
o que eu guardo é apenas horror,
e não adianta mais me questionar
de por que sou assim. 


sábado, 11 de outubro de 2025

olhai os mortos na orla, nunca chegaram em alto mar

 (I)
há um mar sagrado em que me deleito mas que não entro
 há um mar salgado em que chorei
(II)
e em lágrimas 
transbordadas do peito que a ressaca dissolveu na praia, 
para consolo não me assassinou na orla, mas me deitei.
(III)
avistei qualquer coisa remando ao fundo,
deleitada no esforço de não morrer na beira, nem entrar profundo, pro fundo.
(IV)
ao que com esforço do cavalo que puxa a carroça contra a agua salgada, me joguei em alto mar, 
e ele se movimenta tranquilo passado o tsunami, o náufrago e a sensação de que não se sabe o que tem depois do horizonte e a partir dali, nunca fomos.
(V)
tudo em plenos pulmões e calmaria mansa das ondas que nauseam, anunciando que o novo vem chegando, e cada miligrama de água é novidade para os segundos que insistem em não parar de contar e rodar e passar e salgar cada gota que ainda engolirei, de choro e de chuva e de mar. Mergulhada na mansidão dos novos dias.
(VI)
o mar não me cabe em quatro paredes.
e nem em cada grão de areia que me prende os pés na praia. 

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

não existiria

 apesar da ideal ideia de que a cenoura poderia nunca ter sido arrancada, essa só seria cenoura se arrancada fosse. 


cenoura

Hoje diante da minha incapacidade com tudo,
fui incapaz até do que sou capaz quando estou incapacitada, como por exemplo colocar uma música, prestar atenção ao podcast, terminar a limpeza que iniciei, pensar em me alimentar ou se quer conseguir encher com água a minha garrafa, hoje incapaz até de trabalhar na minha flor, hoje perdida no início, vi o dia se iniciar e se findar, mesmo que eu tenha caminhado no escuro, correndo como se alguém me seguisse e quisesse finalizar essa vida, vida essa que não sei porque diabos seria assim tão preciosa ao ponto de lamentar que alguém a tire. e eu aqui nascida gente, mais perdida que o ciclista que entra na marginal por engano. Nascida gente mas mais próxima de um tubérculo arrancado ainda jovem do que com gente. 
 Ou simplesmente, tenho, preciso de toda essa perda perdida que me encontro? que estado perdida não significa que esteja perdida mas que a perda é de outra coisa, como da roupa que está pequena e que não cabe mais, não é? e talvez toda essa incapacidade seja porque de tão capaz preciso esperar com paciência que as resoluções se assentem e que resultará naquilo que me movimenta, que se movimenta sem se lamentar. em estado de escolha e realização, paciência na perda.

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

recados ditos em voz alta I

 mas nem sempre o amor é transvestido de verdade, às vezes o amor engana o próprio corpo que o acomete, minha mãe diz que é cuidado mas eu só sinto veneno. 
e talvez a única forma de amor que ela é capaz e a mesma que lhe foi dado se chama cicuta pois amar aquilo que aprisiona é também uma forma de auto destruição, é beber veneno e definhar vagarosamente.

gaza, mia.

 eu não só cogitei como tentei conversar com a minha gata e ensiná-la que ela é gata e precisa miar.
Eu, animal humana que sou, de felina tenho o sobrenome e talvez os olhos, mas de felina que não sou, miar não sei.
não foi o que me foi passado quando cheguei ao mundo,
por que eu, humana que sou, deveria ensinar o felino que se o mesmo tivesse poder de escolha e lógica pudesse escolher não miar e sim vocalizar seus pedidos,por que diabos eu teria o poder de escolher por ela o que já nos está dito?

e talvez isso não seja sobre felinos.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

porra maria, tu chora demais!
não adianta ser santa com tanto pranto!

maria chorou

tal qual o peso da lágrima que não te escorre
que empedra na sua garganta
eu, corpo de mil toneladas
peso na vida de cada um de vocês 
como um fardo eterno.

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

noises

eu tenho um bom ouvinte
e talvez para quem não tenha bons ouvintes 
isso não pareça algo assim tão significante,
mas seus ouvidos são os mais sensíveis que eu conheço, 
e mesmo que de um lado não se ouve,
do outro tem a enorme paciência do coração aquecido.
meu peito se enche de poesia 
quando percebo a raridade que me rodeia. 
de olhos atentos, ouvidos aguçados 
e corpo que abriga toda justiça e esperança.
A sua raiva, comporta na sua fala e atitudes uma singularidade de arrancar lágrimas,
uma força tamanha que pode avassalar aqueles que não compreendem a brutalidade da vida na sua trajetória.
tonteia não só teu corpo enorme como a todos que o rodeiam,  revoluciona tudo aquilo que toca, impossível tamanha grandiosidade e potencialidade 
não tontear de vez em quando, a ele e quem por ele passe.

reviravolta

aos que desejam grandiosidades
não adianta tapar a boca com as mãos 
quando o barco se revira na fúria do mar.


não sonho mais com o mar encurralado, 
agora tenho enjoos.
furiosa quanto a onda que me quebra
gigante como a rocha que encontra o barco,
nadando de braçada, 
e mergulhando no fôlego da coragem.

sábado, 30 de agosto de 2025

eu sem eu lírico

deixando pontualmente de lado meu eu lírico, 
digo eu que tenho necessariamente a necessidade de me tirar do lugar de auto aniquilamento ouvindo músicas que remetem a natureza, me sinto mais em casa e acolhida e então suaviza a minha abrupta existência e claro, necessariamente, eu escrevo.

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

casa é uma palavra complexa

talvez a grande questão seja matar a vontade de olhar de volta porque eu já sei, não tem nada lá. 
deixar ir os que se apegam ao que não existe, 
só assim essa dor não se expande mais. 
deixo ir, mas eles querem sempre voltar,
e não sabem pra onde, apenas querem me levar. 
eu não quero ir, não há nada pra mim. 

deve ser por isso que vivo adoecida. 
porque no fundo se eu não vou com vocês
eu não deveria ir a lugar algum. 

talvez ao inferno. 

cansei de tentar explicar

 é que, mãe, você não tem e talvez nunca terá noção da violência das suas palavras. 

sexta-feira, 18 de julho de 2025

fotossíntese

no front ninguém questiona quem alimenta
na trincheira parece até que os fortes se fazem com o sol
que o prato se enche sozinho,
que o parto foi corriqueiro,
que o tempero veio de deus,
que o que nasceu já até existia.
ninguém pergunta
quem é que fortalece aqueles que crescem. 

terça-feira, 17 de junho de 2025

trezentos e sessenta e cinco dias

 o amor aparece tarde da noite
na madrugada ele vem
corpo enorme
forte, maos gigantes 
boca carnuda
nem parece real.
o amor chega tarde da noite
porque o amor precisa
se parecer com um morcego,
para encontrar essa figura medonha e fantasmagórica 
que sou,
o amor veio tarde.
tarde, na hora certa,
o amor já tem uns dias,
amor já fez um ano,
o amor acabou de nascer!
e muito prazer em te conhecer!
te recebo, te acolho, te devoro,
o primeiro ano do amor tardio único
que me explode as veias 
e me tira a paz da solidão.
amor chegou tarde,
na hora certa!
amor chegou tarde da noite
me agarrou e me fez tremer,
o amor acabou de nascer
365 dias com você.

13, junho de 2025

terça-feira, 27 de maio de 2025

espaço vazios ocupados de saudade

 às vezes eu vejo nos cantos da minha casa o meu gato idoso 
eu olho rápido e desvio como se eu quisesse acreditar que ele está de fato ali. 
evito olhar de volta
ao menos quero evitar
mas não posso
eu olho de volta 
e não tem nada lá. 

quinta-feira, 22 de maio de 2025

somos vivos

me causava estranheza meu processo de cura ser assim tão longo,
e eu sigo cismada.
eu nunca fui curada, não sei que gosto tem,
por isso sigo. 
e também por isso aprendo cada dia que cada ser é um universo 
e universos não são comparáveis.

o que será que andam sussurando

cansada de estar cheia de eminências 
poucas evidências
e muitos retrocessos 
será? 
será que cansada?
será que aprendendo? 
será evidenciando? 
será retrocedendo? 
o que será que bate aqui dentro 
que me apavora tanto
aquilo que eu ainda não me curei?
as vozes são confusas 
mesmo aparecendo logo cedo.
o processo de cura é longo 
e demorado
e confuso
e maldito 
e lindo. 

e aguardo.



quarta-feira, 21 de maio de 2025

terça-feira, 22 de abril de 2025

ecoam

para não te provocar tantas duvidas sobre essa incógnita que é minha cabeça, aqui vai algo de minha maior sinceridade: 
nunca passou por ela perder qualquer mínimo interesse por qualquer coisa que você pense, fale, faça, deseje ou sonhe. 
hoje, em minha sincera tristeza, ecoam a memória de seus lindos lábios dizendo todas as atrocidades que ouvi enquanto desejava ser surda. 

sábado, 22 de março de 2025

é isso?

 Existe algo, realmente,
- eu falo como se estivesse acontecendo uma conversa e eu discorro…
existe algo, realmente,
que diz respeito à minha necessidade de confirmação.
não afirmação, confirmação.
é mesmo como combinamos? 
porque eu cresci que o que me discipulavam,  
era o certo e o único caminho 
mas o que eu sentia na pele e na cabeça, 
não condiziam nem de longe
com o que tanto pregavam. 

E isso diz muito sobre confirmações. 

é isso.

quarta-feira, 12 de março de 2025

sexta-feira, 7 de março de 2025

nyu

mas é que meu gato está velho demais para conseguir pensar em todos os devaneios que eu com minha capacidade de conseguir estragar tudo não conseguirá dizer pra sua cuidadora de tantos anos seus vacilos e descompensamentos onde foi que apertou o gatilho, do erro, do impulso, do descontrole…
o meu gato, de quinze anos, aonde não o estraguei, aonde em todos esses anos, com esse ser que mais me conhece e que mais se adoece pela velhice me diria, o que? por que esperar que me diga algo? é um gato, um animal doente. Dizer o que para essa humana?
Não há palavra para essa tristeza, para esse sentimento não nominado.

escrito em 1 de fevereiro de 2024 

autorecados

desde o dia que aprendi sobre o meu lugar 
nunca mais aceitei que me colocassem em lugar algum.
ninguém me coloca, me põe, me deposita, me engaveta
me destrata muito menos me ofende. 
E no dia que eu chorar desapontada que não seja por ter esquecido do meu local mas por não ter sangrado suficiente aquele que me derrubou.

conheço minha luta. 

sábado, 1 de março de 2025

onde tu fores, irei.

encarar suas pupilas como se elas fossem cravar minha alma em um arranque tal como faz quando seu sangue sobe e encontra com minhas coxas em movimento.
perpetuar tuas cores castanhas fortes que me seguem disfarçadas quando eu me afasto. 
te amo como quem sangra vagarosamente até a morte. 
acompanho discretamente com minhas cores verdes sempre que te vejo indo, até sumir da vista. 
te amo como se meus dias tivessem contados.
Contados como as horas que conto quando não estou contigo. 
E penso, o que meus olhos castanhos estão fazendo agora. 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Ao nyu com carinho

O mais estranho é pensar que muito em breve não haverá se quer ao menos os resquícios de sua matéria orgânica.
O que é a matéria sua que fica e permanece e me percorre o corpo e chega ao coração e que ao que aparenta faz o meu músculo resistir e existir, porque eu tive você, porque tive a sua matéria.

E você foi muito importante pra mim.
você não morre nunca, você vive. 
é matéria viva. Deixou de ser orgânica. Floresceu em mim. 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

jesus ama seus filhos

Sob o vies e o olhar da igreja foi lá, 
sujou-se, limpou-se 
e abafou o caso. 

Amém. 

Ajoelhou-se, pediu perdão 
participou da ceia, 
tomou seu sangue
comeu da sua carne.

Amém. 

E em nome do senhor jesus cristo
com a benção do pastor.
Perdoado estejam nossos irmãos.

Amém. 

findou-se o abafamento, 
pois estão todos perdoados.

Amém. 


segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

‘Primeiro eu fui enterrada viva. Depois, o céu desabou.’

ditos avulsos agora que tenho teclas 1

me organizar nas vontades que são muitas, entender porque eu estava/estive tão insegura, mesmo forçando meu próprio caminho no caminho da po...