quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

ouvindo porcelain

Fui preenchida.

Em um gole de cerveja,

somado com todos os outros,

senti como se nada, nada

nada mais na minha vida me abalasse.

Pela primeira vez!

Mesmo que não sendo a primeira.

local de acesso

Somente acesso local.
Apenas por não conseguir
ingerir aquilo que não consumo diariamente, palavra e palavra,
 gole por gole
aquele, aquela, que não vivo,
é aquele que desconheço.

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

bioluminescências

tenho tantas críticas a minha pessoa, 
se fosse competição a somatória de tanta falha e desistência seria eu campeã.
por vontade própria tomo decisões solitárias sem confirmar com nenhuma pessoa ou divindade,
eu quis, fui lá e fiz.
apesar da autocrítica, às vezes me gosto e gosto de minha braveza, saber me virar é o lance que mais tenho feito nos segundos tempos.
por mérito próprio de minhas escolhas calho quase sempre a permanecer sob quatro paredes que ecoam os reflexos de tudo quanto vivi.

Sem querer me justificar e me gabar, mas devo dizer que mergulhar de ponta me faz com certeza estar muito longe da superfície.
Gosto mesmo é de profundeza, caminhos esses que se fosse eu organismo produtor de luz acharia mais fácil vez ou outra a saída. Os abissais por vezes me arrastaram pra mais longe e foi de lá que perdida, vendada, encontrei luminosidade.
E no profundo desse meu oceano, me permito me deslanchar, ser avalanche, tsunami…
me permito amar quem eu quiser, e me permito chorar em meu próprio abismo quando o amor for embora.
O amor tendo como característica a bioluminescência entra e sai quando bem entende. 

aprender que o amor ao findar não é falha, é apenas o rumo que ele tende a assumir, ele é seu próprio caminho e eu sou apenas desvio.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

repouso

descanso meu rosto recostado em suas belas mãos 
descanso meu corpo sob teu peito aberto
descansa teus olhos nos meus seios pequenos 
descansa da tua lida em meus braços e pernas
descansa em minha cama, minha casa 
a porta está sempre aberta,

pra você.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

há escritos q nunca serão lidos


 

encanto

confuso como a sequência de acontecimentos inesperados, ou quase isso, acontecem de maneira tal que modifica de forma significativa o percurso ao seu redor. e como essa movimentação atinge bruscamente o cerco a qual se faz parte. não em vão, que todo esse resultado não pode se não construir a fórmula para uma grandíssima resolução de desencanto.
desencanto não é desafeto, desencanto não é esquecimento, desencanto é se não uma perda, que se ganha!, perda de visão cega. visão cega é nada mais que as sombras inventadas de dentro de uma caverna a quem nós, nós próprios nos encarceramos, nos condenamos a nós mesmos.
no fundo eu já sabia que acabaria mais uma vez sendo perturbada por esse sentimento de solidão forçada pois assim como eu, assim como cega, assim como queima, sei também que te queima, te afeta, te constrange. melhor o silêncio ou a distância? ou os dois? quase como um resgate condenatório esse teu jeito de lidar comigo, ainda não digeri. 

fantasmas III

 pesado

te

chamar

de

fantasma


mas é que
vc
é quem
mais
pode
levar
essa

definição.


fantasmas II

 cheguei em casa,
lembrei de vc
coloquei sua playlist

você ai de
cima

ouve aqui embaixo?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

one more cup of coffe

But your heart is like an ocean
Mysterious and dark

One more cup of coffee for the road
One more cup of coffee 'fore I go
To the valley below


. bob dylan

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

qualquer bobagem

 tenho apreciado muito chegar sozinha e fazer o que quiser.

mas volta e meia é bom ter alguém pra dividir o espaço solidificado do estado de estar só, por qualquer outra coisa.

‘nem precisa falar, acenda meu cigarro, não queira me agradar.

queira’

sábado, 3 de dezembro de 2022

brisa

e eu que esqueço até o q estou falando comigo mesma

,

te esquecer é suavidade. 

fantasmas I

se eu te contasse sobre os seres que passam na minha vida e todo o conglomerado de perrengue que se sucede, você com certeza riria.
saudades de quando era você. 

você ai de cima vê aqui embaixo?

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

parta

 o que mais se leva com partidas? só se parte a partir do desejo de um dos lados partir, velado ou não velado, partir vem da necessidade de se construir algo que ainda não existe. Partir é necessário e o adeus demorado sempre mutila muito mais, partir é melhor que morrer, partir é ate breve, até mais. A partir de hoje a partida se tornou menos pesada no meu peso de viver.

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Queda lenta II

 incrível como sempre chove dentro de casa

Queda lenta I

   por que 
é que 
toda vez 
eu 
mergulho de ponta? 

sem antes
conferir 
se
 existe profundidade?

sem antes
volta ou outra
perceber
se ainda dou pé
   ou se me afogo?

domingo, 13 de novembro de 2022

A rapidez da lentidão da queda

o gengibre estava feito, na água quente em minha caneca.
O cigarro aceso entre os dedos,
na pausa da limpeza da casa…
Sofri um acidente 
sozinha, ninguém se feriu,  ninguém além de mim.
Diria que por sorte não apaguei
pois me queimaria e sabe-se lá quando acordaria e como chamaria socorro?
por sorte o acidente não me deixou cegar por completa
No acidente eu estava sentada, meio a dormir, meio acordada.
gengibre, sampoerna, tim maia, cinzeiro, vista da cidade, sol tímido, vento.
Meus olhos abertos e sensíveis à luz.
Já disse?
Quase que me cega.
Sensível, uma pessoa, sensível.
Para além dos olhos, para além da pele, para além das mãos, uma pessoa sensivelmente forte.
Durante o acidente, eu quis de forma desesperada e calma, pegar a caneta, o caderno.
e contar a fatalidade que me acometia,
a de ter enfim, caído na real.

aprendendo a ser só

na mesa
de frente o lustre
música tocando 
cigarro no cinzeiro
meia luz
choro
soluço
escondo de mim
minha própria cara
não quero ter
não te quero ter
enquanto eu não me tiver
enquanto doer tanto
enquanto pensar em ti
for confuso e doloroso
sozinha em casa
sozinha na rua
companhia do céu
do breu
do sol 
dos gatos
companhia da minha caneta 
que desliza
nervosa sob qualquer papel
só pra ver se sangro menos
só pra ver se me encontro
em todos esses desencontros.

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

curva

eu saí da minha poltrona em meio a uma curva, a estrada é estreita, esburacada, escura e movimentada, quis ver de perto, do alto do motorista nesse breu da rodovia a claridade do farol, aparecendo placa por placa, curvas acentuadas, velocidade e asfalto, iluminando rapidamente a mata, matando minha curiosidade e querbrando meu medo, meu medo de estrada, quis ver de perto o ônibus ultrapassar os enormes caminhões, quis encarar esse monstruoso medo de frente, cara a cara, abraçando minha solidão, e enfim, sem medo da morte e pronta pra morrer.

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

 é falar sobre o silêncio 
ou sobre eu não saber de nada
é silêncio 
é em silêncio que me ecoarei
neste exato momento 
até que queiras furá-lo.

nota sobre os fascistas

 eles lá me achando bonita
e eu aqui querendo vomitar neles.

o céu do interior conservador

tão menina
foi lá 
viveu o que nem sabia
teve o que
nem esperava,
vive onde
nem lhe cabe,
isso sim..,
isso sim!
é revolucionário.

o que é revolucionário
pra você?
debater revolução 
no instagram?

já viveu 
no interior
conservador
que ninguém 
fala a sua língua?

a mina
não se cala.

mas não tem vozzzz.

z.

algumas minas,
é que revolucionam
a realidade 
de bolha
em que vivem.

impressionante,
como me sinto 
nada,
nada de mais,
perto 
dela.


logo eu,
da cidade grande,
cheia,
cheia de vivência 

fora da bolha
cheia de livros
cheia de sonetos,
poesias,
livretos,
quem sou?

num lugar
que não 
te vê?

quem é tu,
garota,
que a contra pêlo,
que a contra corrente,
talvez…

…? 
talvez?

nem entenda,
uma se quer
palavra destoante
que eu diga?

é essa mina,

são essas minas,
que explodem
qualquer
diferença 
que faz
realmente 
sentido.

sentindo que
aqui
que pela
primeira vez,
eu não saiba 
de nada.

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

enquanto o galo canta

tão tarde que o que se ouve é apenas vagamente pedro the lion ao fundo e o sino de vento suspenso nessa sacada que venta violentamente contra meu corpo e meus cabelos enquanto o cigarro carbura estourando sob meus lábios.
era preciso hora dessa, nessa madrugada, desencaixotar tudo quanto me restou de toda a lida que travei. 
e é sem ar que eu fico, mesmo com todo esse vento, mesmo com todo esse fôlego que encontrei.
Fôlego esse que criei, onde me rearranjo entre tanto destroço espalhado por toda essa cidade.
cidade essa que, surpreendentemente, me acolheu como se… 
como se eu fosse realmente importante para alguém, mesmo deixando tudo de lado quase sempre em prol de algo que nem sempre fez sentido.
me parece que o entorpecimento da labuta ora me desperta de súbito e cá estou, acordada. 
acordada. ancorada em nada. só desperta.

terça-feira, 11 de outubro de 2022

o não eu

 onde de quase nada eu tinha ciência do significava, me saiu, como uma flecha que me atravessava, perfurou a pequena extensão que é meu corpo, de grande mulher.
que o sentido, não tem sentido, qual sentido o sentido tem? e como pensar isso ao som de vários instrumentos tocando harmonicamente, que te leva da euforia à angústia. qual sentido? aquilo que me atravessa, sou eu.

preciso lidar comigo, diariamente. exaustivo, caótico, misterioso, porém também há maravilhas que me atravessam. também sou eu.

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

cansada de saber que não é deus, foi lá mais uma vez e se lamuriou por não ter o mundo em suas mãos e que por essas mãos se tiraria o sofrer de outrem.
tudo que ela queria era tirar toda essa sua dor e nunca mais te ver vilipendiado. 

terça-feira, 4 de outubro de 2022

pesadelo

 no meu corpo habita um ser que de tanto confabular, ficou triste e confuso. 

não, não consigo acreditar que ainda não está tudo bem, não consigo acreditar que não consigo dormir só? 
e esse febre que alastra todo meu corpo, esse pesadelo que só regressa, esse calafrio, essa culpa. 
o que eu faço com tudo isso, eu já não sei, eu nunca soube.

terça-feira, 27 de setembro de 2022

naturalmente triste

encaro esse vasto quintal, que um dia foi meu, que outrora fazia planos, molhava as plantas, andava de bicicleta com meu fone de ouvido, com o cachorro a correr atrás de mim, como quando por tantas tardes eu me sentava a sombra da grande árvore que aqui tem e lia livro, e chorava e cantava. Poderia descrever o ato de estender roupas, de escreve nas páginas do meu pequeno caderno sobre minha aflições e paixões. O dia está nublado e a grama travou uma batalha contra a secura que é esse clima, resiste até a chuva e cresce até não poder mais, quantas vezes por pura tristeza ou necessidade de reflexão eu tirei vinte metros de grama sob o sol de quase um deserto e terminei exausta. Apago o cigarro e me despeço como quem já devia ter ido.

“minha cabeça trovoa”

a respeito daquilo que tenho medo
incrível como que o que eu tinha 
como obviedade, esse sentimento,
que dentro de mim
se expressava como ser luminoso,
se transforma em cicuta
não sei se sou o veneno
ou se sou a cura
por vezes me sentindo 
a própria toxidade 
por vezes me sentindo lixo.
todos os dias tentando por pra fora
o que me mata aqui dentro
por que é que não consigo?
não consigo falar, mesmo sabendo o alfabeto 
me falta palavras, mesmo sabendo declamar
pablo neruda
aquilo que me falta,
que está tão profundamente amordaçado 
que não, eu não consigo acessá-lo 
sentimento esse que me apanha
que não sei nominar!
queria eu poder abrir o peito
com minhas próprias mãos e tirar esse peso
causador de arritmia, fumaça e álcool.
talvez não seja realmente você 
que precise me entender 
sou eu própria.




quinta-feira, 22 de setembro de 2022

citação XIV

Medo
Eu raspo as unhas pela parede
Eu estremeço você por dentro
Duro os teus movimentos

Sede
Eu fico longe da tua casa
Eu abandono você na rua
Duro os teus golpes lentos

Grito
Eu saio um pouco pela cidade
Eu me embaraço nesse silêncio
Duro os teus golpes lentos

Medo
Eu fico longe da tua casa
Eu abandono você na rua
Duro os teus movimentos


                                        kafka - valsa da noite

terça-feira, 13 de setembro de 2022

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

cemitério

te visitei,

não tem lápide,

a terra ainda ta mexida,

vermelha,

mais um pôr do sol.

você ai em embaixo,

vê aqui em cima?

terça-feira, 30 de agosto de 2022

sintoma V

qual a serventia do prazer do deslize, da colisão com o asfalto se quem dirige, dirige como quem é de lata, sem coração, um gelo.
um estranhamento entre certezas e solidão.
o silêncio deixa uma confusão.

o vento na cara deixa a sensação de liberdade com resquícios de ânimo.
quem poderia dizer que o que nos consola não é nunca consolado?
quem ousaria escrever sob as pedras as mais exageradamente sinceras declarações de amor quando se é vazio? 
quando que com a mão estendida sob a sombra de qualquer sujeito pode-se ter uma falsa estima, um falso afeto, confundido por amor e carência?
onde a pista do outro interfere nos rumos que se decide tomar? antes mesmo das promessas juradas ao apagar velas. antes de se cogitar comunicar com a paixão e o desalento.

é preciso recuar pra poder, com esperteza daquele a quem me ensina, atravessar sem ser massacrada.
palavras escorrem pelos meus lábios mas nunca são ditas, maldita seja quem as calou.
no deslize que meus dedos se impõe em um pequeno objeto de distração, questões e junções de frases para algum alguém se sentir contemplado.
quem disse que proclamo? 
proclamo entender a confusão dessa cidade, desse caos a que me chamo, a que me proclamo, a quem declamo.

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

último ato

te vi na televisão,
não foi como se você estivesse aqui
foi como um punhal 
apunhalando a saudade 
te vi na tela, tão vivo
te vi como se você tivesse aqui
como se tivesse aqui por alguns minutos 
e até quase me esqueci que você não está.
você não quis ficar. 

domingo, 21 de agosto de 2022

terça-feira, 16 de agosto de 2022

sonhos sonhos são

você em tons de lilás 
sorrindo como se estivesse 
comendo algodão doce azul
assistindo a um filme em cima do seu carro
o filme era eu 
mas você foi a melhor parte da historia
inesquecível como combinava
com todas as cores e como me ditava 
seu humor, seu tom, seu sorriso
em pleno paraíso.

culpa

Conseguir com que a culpa não se torne

Unicamente minha sina

Lamentaria se nem ao menos uma vez

Pudesse me ensinar a ser melhor

Ao invés de me condenar como sempre faz

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

devoro

tenho devorado tudo aquilo que me inspira vida
tenho me afastado, a cada momento de intensidade,
daquilo que me remete a morte
tenho ingerido, consumido adrenalina, corpos e poesia
música que me eleva, por vezes repetidas
assim eu sinto, que consigo sobreviver, de fato.
depois de sugada, a correria de permanecer viva
não me deixa cansada, não me deixa desfalecer. 

sábado, 23 de julho de 2022

citação XIII

Feito lixo que se queima
Eu te amei como pude
Feito chama quando arde
Eu te amei como pude


walter franco

segunda-feira, 11 de julho de 2022

desistir

Devir de quem tende a sempre falhar
Espero todo dia uma fagulha de vigor, vontade
Sinto que me perco em cada passo traçado
Insistir na perda não me faz bem, perdi demais
Sobre cigarros no cinzeiro e o álcool no sangue
Tendo a perder tudo, porque tudo me foge
Insuportável acordar, queria mesmo, desistir
Ruino sem que ninguém perceba, não sei dizer.

terça-feira, 5 de julho de 2022

triz

dei de cara com a face do abismo
ele me encarou de frente 
eu me joguei para dentro
em um salto no parapeito da ladeira
caí rodopiando e eis que o que salva
por um triz, por um triz tinha uma corda
que envolta do meu pescoço 
me agarra pelas mãos, me prende pela cintura
e me traz de volta.
lá de cima encarei o abismo
agora tão longe, tão embaixo
apreciei a paisagem como se fosse a última 
fitei a vista como se fosse minha aquela imensidão de vida.

domingo, 26 de junho de 2022

citação XII

Soube que você levantou a mão contra si mesmo
Antecipando assim o algoz
(…)

O futuro está em trevas, e as forças boas
São fracas. Tudo isso você viu
Ao destruir o corpo sofrido.

                                                            Bertolt Brecht

terça-feira, 21 de junho de 2022

citação xi

 Na vida, quem perde o telhado

Em troca recebe as estrelas
Pra rimar até se afogar
E de soluço em soluço esperar
O sol que sobe na cama
E acende o lençol

Só lhe chamando 
Solicitando
Solidão, que poeira leve
Solidão, olha a casa é sua
O telefone chamou
Foi engano.

                                                                   tom zé 

sábado, 18 de junho de 2022

 tenho feito as pazes com a          
        claridade

luz
                    sol
lua
         ilumina
                    salga

salva.                ?

sexta-feira, 17 de junho de 2022

desabafo desde que você partiu II

 Ainda me é doloroso pensar que a tantos palmos do chão nos separa a tua voz, o teu jeito, o teu afeto.
Tem manhãs bem cedo que eu só queria uma resposta tua, eu só queria poder te contar as cenas da vida e te ouvir, nem que seja só o meu nome, tu me chamando…
Me pergunto todo dia quando é que te verei de novo? Tenho tanta saudade.

É da morte, da morte é que temo perder as pessoas, a gente perde tanta gente em vida, mas elas estão aqui, elas respiram, então tudo bem irem embora, todo mundo precisa ir embora algum dia.
Mas a morte, meu amigo, a morte mexe comigo, ela adora minha vida.





quinta-feira, 16 de junho de 2022

dói

 é findada a vida besta
de menina mulher que não soube viver
é dado a largada do fim
de uma história longa e triste
é tido como morta apesar de viva
uma lida que se esvai sem se entender
finda-se a esperança do que foi
do que seria, do que parte, do que morre,
matou e viveu, assassinou e findou nem que seja a dor.

citação x

Tô cansado
E você também
Vou sair sem abrir a porta
E não voltar nunca mais

Desculpe a paz que eu lhe roubei

E o futuro esperado que eu não dei
É impossível levar um barco sem temporais

E suportar a vida como um momento além do cais
Que passa ao largo 
Do nosso corpo
Não quero ficar dando adeus

Às coisas passando, eu quero
É passar com elas, eu quero
E não deixar nada mais do que as cinzas de um cigarro
E a marca de um abraço no seu corpo…


                                                    Jards Macalé

sexta-feira, 10 de junho de 2022

minh’alma matou princesa desalento

quis sexo
resolvi
quis teto
consegui
quis cama
fiz a minha
quis afeto
dei um jeito
quis fugir
corri
quis corpo
me peguei.


na revolta 
me resolvo
eu comigo
eu com grito
eu mesma
eu inteira
eu nas metades.
nunca duvide 
do que essas mãos 
são capazes.


por todos
os caminhos
que trilhei
por todos
os caminhos 
que abri
o facão
sempre esteve
comigo
só eu sei.

quarta-feira, 8 de junho de 2022

sintoma IV

 não tem paz pra quem fica
foi difícil aceitar
hoje percebo que é uma corrida
contra aquilo que nos afunda na terra.
não tão fundo quanto sete palmos
não tão razo que se possa respirar
não tão profundo que nos afunde completamente
está ali, no chão, na não superfície,
no lugar que tu se move
move, mas não regressa.

não tem paz, não tem fôlego.
puxa o ar, respira, suspiro.

terça-feira, 7 de junho de 2022

simpatia

essa mesma escuridão 
essa mesma responsabilidade 
pelo outro
eu sendo o outro
o que nos significa.

domingo, 5 de junho de 2022

citação IX

Se você quiser eu danço com você

Meu nome é nuvem
Pó, poeira, movimento
O meu nome é nuvem
Ventania, flor de vento

Eu danço com você o que você dançar
Se você deixar o coração bater sem medo


clube da esquina

sábado, 4 de junho de 2022

quinta-feira, 2 de junho de 2022

carburando

me dei licença poética
para acender todos os cigarros que me convém
tem noites que não consigo dormir por pensar demais.
a fumaça que leve toda dúvida e comparação
que insisto em fazer com o passado
deixo que o cigarro trague, trague,
trague alívio imediato.

se o que eu trago
além de fumaça 
seja desordem e loucura
deixo que o trago
traga algo além de mim.

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Citação VIII

Aprende a amar o amor, renovando o pecado! 
Abençoo o teu crime, acolho o teu desgosto. 
Bebo-te, de uma em uma, as lágrimas do rosto!  

Bilac

domingo, 29 de maio de 2022

cheiro do ralo

sentir nas narinas um ordor de sentidos mal sentidos
sob efeitos de substâncias e sentimentos confusos
assoar o que não cabe mais
vomitar o que nem tem
cheiro que todo mundo conhece
cheiro nostálgico de quase perdição 
enjoos e lamurias.

“é preciso estar atento e forte”

 paranóia 
é eleito
o pior 
sentimento 
depois
da culpa.


sexta-feira, 27 de maio de 2022

)re) começar(

 poderia não ter fim essa rua
poderia no céu não ser o limite
poderia não sentir culpa pelos sorrisos
pelos abraços, pelos braços, 
pelos olhos
que me ardem tarde da noite.
poderia ser um suspiro
poderia ser um alívio 
poderia não estar morta
poderia 
e não morreu.
feliz ou infelizmente, não morreu.
viveu, permanece, respira.
o que está aqui é o que consegue tocar
sentir, chorar.
porém revive
vive.
renova.

domingo, 22 de maio de 2022

“tudo que é sólido desmancha no ar”

 cadê raio de sol
a queimar minha pele 
meus pelos, meu corpo. 
cadê o que aquece e ilumina
o que dá prazer, consolo, gozo…
cadê o movimento, o momento
a trégua, a completude.
para onde foram os ventos esperançosos
agora trocados por saudade e culpa.
as mãos que me afagam
me afundam na minha própria sanidade
é real que é preciso atravessar
fazer a travessia desse breu, 
desse estado solidificado, embrutecido, cruel e longo.
ir de encontro ao dia, um dia.

terça-feira, 17 de maio de 2022

oceano

não me visite se for interpretar da sua maneira de entender a vida, 
vida essa que é sua.
não continue lendo se for te machucar, te causar angústia ou qualquer sentimento penoso.
e não ache que qualquer uma dessas coisas me façam parar, não irei mais me calar.

meu mar encurralado virou oceano. 

domingo, 15 de maio de 2022

 me retiro
pra chorar
sob qualquer
céu, sol ou lua
na esperança 
de você 
poder 
me reconfortar
onde quer 
que você esteja.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

augusto dos anjos

 


ruído

 logo eu 
que nunca
tive problemas
de pegar
no sono
de dormir
tranquila…

hoje
não tem 
um dia 
ou uma noite
em que me
recosto no
travesseiro
e consigo
ter um sono
decente.

meus pensamentos 
sensações 
e sentimentos
me assombram
o silêncio 
me condena.

minha pressão 
se eleva
calor com frio
arrepio 
toda espinha dorsal

meu teto
completamente
desfeito
em cima de mim.

quando 
é que 
isso passa?

quinta-feira, 12 de maio de 2022

assolada

 ai se morresse de tristeza…

estava tão triste, que se deitou

e nunca mais acordou.

ai se assim fosse,

teria eu poupado esses meus últimos dias.

segunda-feira, 9 de maio de 2022

 é insuportável revisitar

todos os dias os mesmos lugares

e não encontrar nenhuma solução,

nenhum abrigo ou conforto, que seja.

só encontrar tormento.

terça-feira, 3 de maio de 2022

ditos sensatos na manhã de maio

 sinto meu corpo queimar

estou sempre a beira de um penhasco

é uma febre que não passa nunca

é o estômago que nada fica

tive mesmo que sob risco de dar errado 

desistir de muita coisa, abrir mão de uma vida inteira

tudo me doía… eu estava morrendo.

não existe para sempre

somos feitas de histórias tristes e inacabadas

mas histórias, que também nos dão a vida.

sentirei falta dos olhos verdes azulados

a me procurar pela casa

acho que estou ainda de certa forma me esvaindo

cada dia que passa deixo de existir um pouco

mas cada dia me resignificando de um jeito ou de outro

vejo tudo desmoronando aos meus pés

e ainda assim, tem paredes de pé e flores ao fundo

parte de mim queria desistir de tudo

a outra parte que agora grita, diz que ainda posso viver

te envolver na minha tristeza me assola 

mas sendo racional eu também estou te salvando de

mim e é também por te amar muito que tive de partir.

quem sabe assim aprendo de uma vez a me amar.

só não se esqueça que sempre estarei ao seu lado 

mesmo separadas.

quinta-feira, 28 de abril de 2022

desabafo desde que você partiu

 o peito me aperta mais que tu pode imaginar

não consigo me olhar no espelho 

não quero estar sã

não consigo mais pensar em tudo que eu devia ter dito e

feito, em cada momento que você pediu ajuda 

e eu mal conseguia me ajudar

não tem uma hora do dia que eu não olhe pro céu 

e não amaldiçoou minha própria existência.

existe uma carta? existe um sentido? uma explicação?

várias explicações? 

as mesmas dores que compartilhávamos? essa dor?

não tem um momento que o remorso não me assola

nunca mais andarei na rua sem pensar em tudo

tudo que não disse, queria voltar no tempo

eu queria não estar sentindo tudo o que estou sentindo.

esse silêncio vai ser minha sina, meu caro. 

mais pesado que o céu, 

mais cruel do que se possa imaginar.

nunca mais terei sua resposta. 

sinto muito que o peso desse exterminador sistema

tenha te levado de nós. não há mais esperanças?

terça-feira, 26 de abril de 2022

sintoma III

 parece que sou um conglomerado de tragédias.

 to afundada em um bloco de gelo agora. queria que a vida, essa, fosse uma mentira, uma matrix, queria sair agora desse engano e te abraçar uma última vez.  

domingo, 24 de abril de 2022

 declamada com o corpo

amassada pela pele

           arranhada nas paredes

molhadas nos lençóis 

aclamar o próprio grito

esvair-se em silêncio, soluço, suplício. 


 

 

 

leva e traz

reencontros

são para mim

como suspiros aliviados

realizados

sus piro portos

cais


em um corpo 

quase morto.

quarta-feira, 13 de abril de 2022

asas do desejo

"Isso me atrapalha, a ausência de desejo. Desejo de amar."

 Se queixar de ser anjo, pois são eternos, não possuem corpos, ter um corpo é ter direto de choque, não tê-lo não os permite agir. Os anjos sonham com a impotência do humano, querem saber menos pois esse menos pode se transformar em mais, viver mais, sem a eternidade. Apenas abandonando suas asas eles poderão entrar efetivamente no mundo dos desejos.

Pequeno pensamento que traduz um pouco do que sinto quando penso no filme Asas do desejo, que é para mim uma das obras cinematográficas que mais me encantam. Não pensei nada disso sozinha, tem no livro que chama Cinefilô, de Ollivier Pourriol, e o filme é do Wim Wenders.


quinta-feira, 7 de abril de 2022

sintoma II

uma vez proferido, 
verbalizado,
por dias, semanas, 
fica ali na memória 
o que pensava estar 
enterrado, esquecido,
amordaçado,
fica ali
desencaixotado, 
solto em algum lugar
que por vezes
achamos que não existia mais.
Falar foi,
falar tem sido
meu maior cúmplice
liberto 
e perigoso.
em sua maior
e melhor
denominação de
perigos e delicias. 
respiro assim
aliviada,
descansada.
Nunca esteve 
de fato
enterrado,
era na verdade
sintoma.



citação VII

 “um minuto de reconciliação tem mais mérito que uma vida inteira de amizade.”

cem anos de solidão 

Citação VI

 “Seu coração de cinza amassada, que tinha resistido sem fraquejar aos golpes certeiros da realidade cotidiana, desmoronou nos primeiros embates da nostalgia. A necessidade de sentir-se triste ia se transformando num vício conforme os anos a devastavam. Humanizou-se na solidão.”

Cem anos de solidão 

segunda-feira, 4 de abril de 2022

minhas tristezas são verdadeiras e por vezes alegres, minhas alegrias tem quase sempre um punhado de tristeza. gosto do gosto que a melancolia me proporciona.

E talvez alguns de vocês nunca compreenderão o que é isso.


quarta-feira, 30 de março de 2022

 das coisas que me causam um prazer imensurável, poder assistir a chuva caindo no meu quintal. 

sábado, 26 de março de 2022

foto analógica

 a culpa não é dela

a expectativa é que foi minha. 

tanto quanto a expectativa, a foto também é minha.

(minha resposta ao desabafo)

sexta-feira, 25 de março de 2022

desabafo analógico


queria ser cruel com minhas palavras da mesma forma que ela é cruel com suas mentiras, com seus desvios.

devo admitir que é peculiar o jeito como usa as suas formas para afirmar que ainda existe uma amizade.

pois quando por mim rodeia, rodopia mas não é nunca sincera... Bem sei que não te falta coragem, te sobra descaso.

não alimentarei mais nem um grão de esperança na sua pessoa, não estarei onde me deixou a espera de sua vinda, não que um dia volte, mas se por acaso pensares, não jogue fora seu estimado tempo, pois afinal, eu não valho mais a pena.

que pena.

sabendo dos meus exageros, quando quiseres… estarei aqui.

quinta-feira, 24 de março de 2022

sintoma I

 que vidinha besta!

sem sentido,

mais ou menos,

tanto faz .

que sofrimento

faz a falta

de um caminho novo.

quinta-feira, 17 de março de 2022

domingo, 13 de março de 2022

absurdo . citação VI

 “Proclamo que não creio em nada e que tudo é absurdo, mas não posso duvidar de minha própria proclamação e tenho de, no mínimo, acreditar em meu protesto. A primeira e única evidência que assim me é dada , no âmbito da experiência absurda, é a revolta”



camus - o homem revoltado

sexta-feira, 11 de março de 2022

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

a noite anterior


You're the night, Lilah, a little girl lost in the woods
You're a folk tale, the unexplainable

You're a bedtime story, the one that keeps the curtains closed
And I hope you're waiting for me


 

é complicado hoje falar de amor. 

quando o mesmo me silenciou a contra gosto tantas vezes.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

X

 quanto mais ele esmurrava a porta 

mais se esvaia toda a vontade de que ele ficasse.

(…)

crescia a cada estrondo o meu mais sincero desejo de que partisse,

para o mais longe possível da minha pessoa.

não sei como ainda voltou.

logo ele que não era detentor de coragem, com que coragem ainda teve de pedir para voltar?




 Se há alguma culpa que me acomete,


é a de não sentir culpa.

sábado, 29 de janeiro de 2022

‘Primeiro eu fui enterrada viva. Depois, o céu desabou.’

cozinhando palavras, criando receitas

  eu tenho mais medo de escrever do que cozinhar para o presidente.  ora, logo a escrita que faz parte de mim desde que aprendi a juntar as ...